Farinha Lima
Publicado em 28/10/2026, às 07h00 Foto: Divulgação/Vittor Sales Farinha Lima
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que atuou na articulação política em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, evitou comentar a ida do senador aos Estados Unidos, noticiada nesta terça-feira (27). Questionado sobre o episódio durante uma agenda na capital paulista, alegou que não comentaria “suposições”. Para apontar suposto abuso de poder de Lula, teve discurso de sobra. Para falar do destino do parceiro, ficou mudo.
Flávio Bolsonaro parece ter encontrado nos Estados Unidos um lugar para esfriar a cabeça após a derrota para Lula nas eleições de domingo (25). O senador chegou ao país nesta terça-feira (27), acompanhado da mulher e das filhas, conforme informações confirmadas por fontes ligadas ao governo americano à CNN Brasil. Antes de embarcar, enviou uma mensagem a Rogério Marinho, coordenador de sua campanha, dizendo que estava “esfriando a cabeça”, mas sem revelar o destino. A viagem acontece após a derrota nas urnas, em uma disputa na qual Lula foi reeleito com 51,79% dos votos, contra 48,21% de Flávio. Enquanto o senador buscava distância do resultado eleitoral, seu paradeiro virou assunto da imprensa internacional.
A temporada americana, porém, não vem sem pendências. Flávio é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e de lavagem de dinheiro em negócios relacionados a casas de apostas. A primeira apuração envolve repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, à produção. A segunda investiga possíveis vínculos com o advogado Willer Tomaz, amigo do senador, após a Polícia Federal encontrar e-mails que apontariam Flávio como “usuário master” de uma conta bancária ligada a uma empresa de Tomaz. Ele também responde a um inquérito por calúnia contra Lula, após publicar acusações que atribuíam ao presidente crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Para completar o roteiro, Flávio descumpriu a ordem do ministro Alexandre de Moraes para entregar os passaportes nesta terça-feira. Se quem não deve não teme, a viagem de Flávio deixa uma pergunta no ar: será que a mala foi cheia de roupas ou de problemas mal resolvidos?
Willer Tomaz, advogado e amigo de Flávio Bolsonaro, deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos na semana passada. Agora, o senador derrotado também foi para lá, antes de cumprir a ordem de Alexandre de Moraes para entregar os passaportes à Justiça. Investigados no mesmo caso, os dois estão proibidos de se comunicar desde segunda-feira (26). Questionado sobre a possibilidade de receber Flávio em Miami e sobre quando pretende voltar ao Brasil, Willer respondeu duas vezes: “Não é da sua conta”.
O advogado também negou manter contato com o amigo desde domingo, dia da eleição. Enquanto isso, Moraes determinou o cancelamento dos passaportes de Willer, a quebra de sigilos e o bloqueio de bens, além de suspender atividades de empresas ligadas a ele. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de apostas, e Flávio teria sido identificado como “usuário master” de uma conta da empresa Alcazar. Os dois foram parar nos Estados Unidos, mas, pelo visto, até a amizade agora tem fronteira e assunto proibido.
A cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro diz ter sido pega de surpresa com a suposta fuga do senador para os Estados Unidos. Aliados negam participação no plano, e até integrantes próximos afirmam ter descoberto a viagem pela imprensa. O detalhe é que, poucas horas antes de desaparecer, Flávio dizia a Rogério Marinho que estava apenas “esfriando a cabeça”.
Tarcísio de Freitas também afirmou a auxiliares que não sabia da viagem e, depois que a notícia veio à tona, publicou um vídeo dizendo que a eleição acabou e que o país precisa de um projeto. Sobre o paradeiro do aliado, silêncio. Na campanha, todo mundo estava junto. Na hora da partida, parece que ninguém recebeu o itinerário.
Donald Trump resolveu dar pitaco na eleição brasileira após a derrota de Flávio Bolsonaro para Lula. Sem apresentar provas, o presidente americano disse que o pleito “pareceu fraudado”, mas garantiu que não tomou partido. Na mesma fala, afirmou que gosta de Lula. A coerência ficou em segundo plano, enquanto a suspeita de fraude entrou em cena sem apresentar o principal: evidências.
Agora, aliados de Flávio afirmam que o governo americano teria ajudado o senador e sua família a deixar o Brasil em uma operação secreta, supostamente articulada por Marco Rubio. A informação ainda não foi confirmada de forma independente. O Departamento de Estado dos Estados Unidos concederá vistos a Flávio e à família e permitirá a entrada deles no país. Entre questionamentos eleitorais sem provas e suspeitas de uma operação internacional, Trump segue dando sinais de que a política brasileira também entrou em seu radar. Quando o aliado perde, até a soberania parece precisar de autorização americana.
Flávio Bolsonaro mal chegou aos Estados Unidos e já encontrou resistência. O comentarista democrata Isaiah Martin, crítico de Donald Trump, defendeu que o senador seja deportado no primeiro dia de um novo governo e ainda sugeriu uma operação de helicóptero para entregá-lo às autoridades brasileiras. A referência foi à captura de Nicolás Maduro por forças americanas, em janeiro deste ano.
Martin também questionou a possibilidade de o dinheiro público dos EUA bancar a segurança e o transporte do brasileiro. Pelo visto, a estadia de Flávio já começou com reclamações antes mesmo de qualquer confirmação oficial sobre a suposta operação de proteção americana. Foi procurar abrigo no território de Trump e acabou entrando na área de risco.
Eduardo Bolsonaro, Carla Zambelli, Alexandre Ramagem e Silvinei Vasques engrossam a lista de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro que deixaram o Brasil após reveses judiciais. Eduardo e Ramagem foram para os Estados Unidos, Zambelli acabou presa na Itália enquanto aguarda decisão sobre extradição, e Silvinei foi detido no Paraguai ao tentar embarcar para El Salvador.
Os destinos mudam, mas o roteiro tem um ponto em comum: a saída do país em meio a problemas com a Justiça. Para quem prometia enfrentar o sistema, a fronteira virou uma alternativa.
Nikolas Ferreira resolveu usar a suposta saída de Flávio Bolsonaro do Brasil para questionar a segurança de opositores do governo Lula. Em publicação nas redes sociais, afirmou que o senador teria deixado o país a pé. O problema é que a informação não estava confirmada. Pouco depois, o deputado apagou o post e publicou novamente, desta vez com uma palavra estratégica: “supostamente”.
Na sequência, Nikolas voltou a criticar o governo Lula e a questionar sua relação com a oposição. No fim, a publicação precisou de um ajuste para trocar a afirmação categórica por uma versão com ressalvas. Na política, até quem vive cobrando explicações às vezes precisa editar a própria versão.
Após 48 horas em silêncio e com a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil com destino à Flórida, nos Estados Unidos, Tarcísio de Freitas quebrou o silêncio sobre o resultado das eleições que determinou a derrota do filho 01 do ex-presidente Bolsonaro. Ele disse aceitar o resultado, mas chamou atenção para os excessos e a interferência do Judiciário no processo eleitoral. Em suma, SP não consegui eleger Flávio e agora a situação esquentou. Tarcísio também passou a tolerar o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, que até agora não se pronunciou sobre a fuga de Flávio. Vamos aguardar as próximas cenas.
A derrota de Flávio Bolsonaro abriu espaço para Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro disputarem o protagonismo da direita nacional. O governador paulista, que já ensaiava voos mais altos, ganha força como alternativa para enfrentar a esquerda. Entre polêmicas e desgastes envolvendo o clã Bolsonaro, a oposição começa a perceber que herdar o sobrenome nem sempre significa herdar os votos. Na política, até a derrota de um aliado pode virar oportunidade para quem aguarda a vez de entrar em cena.
Lula garantiu mais quatro anos no Planalto, bateu o próprio recorde de votação, com 64,2 milhões de votos, e venceu Flávio Bolsonaro com 51,79% dos votos válidos. Mas a vitória veio acompanhada de uma lista extensa de promessas, um Congresso de maioria à direita e uma reação pesada do mercado financeiro. O dólar disparou 8,36% no primeiro pregão após a eleição, fechando a R$ 5,4066, enquanto o Ibovespa despencou 13,88% e acionou o circuit breaker.
A conta política também promete dar trabalho. A direita terá 303 das 513 cadeiras da Câmara, enquanto o Partido Liberal (PL) contará com 121 deputados e 28 senadores. Para avançar com propostas de educação, saúde, segurança pública e inteligência artificial brasileira, Lula precisará negociar com partidos de centro e centro-direita. Parte dos compromissos ainda depende de aprovação parlamentar e de espaço no Orçamento, em meio às preocupações com a política fiscal.
Lula garantiu mais quatro anos, mas o preço da vitória já começou a aparecer na tela do mercado e nas contas do Congresso.
O PT já ensaia abrir as portas para André Janones, um dos principais cabos eleitorais digitais de Lula, com direito a filiação e possível vaga no alto escalão do governo. Depois de mobilizar milhões nas redes, o deputado pode colher os frutos da militância virtual. E, se a estratégia der certo, quem sabe o projeto não se estende até 2030? Em tempos de política digital, administrar grupos de WhatsApp pode ser o primeiro passo para entrar no grupo dos presidenciáveis.
Javier Milei decidiu não parabenizar Lula pela reeleição e justificou o silêncio alegando que o brasileiro também não o cumprimentou pessoalmente em 2023. Na ocasião, porém, Lula publicou uma mensagem desejando sorte ao novo governo argentino e se colocou à disposição para cooperar com o país vizinho.
Milei foi o único líder sul-americano a não felicitar o presidente brasileiro reeleito. Enquanto isso, Argentina e Brasil seguem ligados por uma relação comercial bilionária. Na diplomacia de Milei, a birra atravessa fronteiras, mas o comércio não pode se dar ao luxo de fazer o mesmo.
Lula completou 81 anos nesta terça-feira (27), dois dias após vencer as eleições presidenciais e garantir mais quatro anos no Palácio do Planalto. A data foi celebrada por apoiadores em frente à residência oficial da Presidência. Parabéns ao aniversariante!
Érika Hilton liderou o ranking de políticas mais ofendidas nas redes sociais durante as eleições de 2026. Segundo levantamento do MonitorA, 82% dos ataques contra a deputada foram transfóbicos. Marina Silva, Simone Tebet e Sâmia Bomfim também apareceram entre os principais alvos, com ofensas marcadas por etarismo, misoginia e gordofobia.
O estudo analisou mais de 2 mil comentários em perfis de 143 candidatas no X, YouTube e TikTok. Do total, 31% continham conteúdo ofensivo, somando 257 ataques e 421 insultos. A inteligência artificial também entrou na baixaria: uma em cada quatro imagens ofensivas contra candidatas no X teve indícios de uso da tecnologia. Nas urnas, elas disputam votos. Nas redes, ainda precisam enfrentar quem confunde opinião com preconceito e covardia com coragem.
Lucas Pavanato (PL), deputado federal eleito por São Paulo, mal alçou voo rumo à Câmara dos Deputados e já está botando as asas de fora. Ao dizer que colocaria as minorias no “devido lugar”, o parlamentar entrou na mira do Ministério Público, que pediu a instauração de um inquérito para apurar suspeitas de injúria e discriminação. Não pegou bem, meu jovem!
Pavanato reagiu acusando o promotor de perseguição política e afirmou ter acionado o Conselho Nacional do Ministério Público. Vale lembrar que os parlamentares das minorias também foram eleitos pelo voto popular e ocupam as mesmas cadeiras na Câmara. Na política, quem tenta colocar os outros no lugar pode acabar tendo de dar explicações.
Dilma Rousseff terá direito a R$ 17,5 mil mensais de reparação pela perseguição política sofrida durante a ditadura militar, além de valores retroativos calculados em R$ 6,6 milhões, dos quais serão descontadas quantias já recebidas. A decisão considera que a ex-presidente foi impedida de trabalhar após ser presa, em 1970, aos 22 anos.
Em agosto de 2025, o governo havia fixado uma indenização de R$ 100 mil em parcela única. Agora, a mudança atende a uma decisão definitiva da Justiça. A ditadura passou, mas a conta da perseguição ainda chega.
O engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, morreu após ser agredido e roubado em Santos, no litoral paulista. Ele participava de um ato de apoio à reeleição de Lula quando se afastou para ir ao banheiro e foi abordado por ao menos sete homens. A agressão foi transmitida ao vivo pelo TikTok.
A Polícia Civil investiga o caso e busca identificar os envolvidos. A motivação do crime ainda não foi esclarecida. Marcelo teve a morte encefálica confirmada pela família, que autorizou a doação de órgãos, conforme desejo manifestado por ele.