Política
por Andrezza Souza
Publicado em 27/10/2026, às 23h00
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa pela Presidência da República, é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de lavagem de dinheiro, irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, e calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O senador chegou aos Estados Unidos nesta terça-feira (27), segundo o advogado mexicano Simón Levy, ligado ao movimento Make America Great Again (MAGA), de Donald Trump. A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes determinar a entrega dos passaportes de Flávio e proibir sua saída do Brasil. A Polícia Federal (PF) investiga as circunstâncias do deslocamento.
Uma das apurações investiga possíveis crimes relacionados ao financiamento de “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, no STF.
A investigação apura repasses de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para a produção do filme.
Outro procedimento, sob relatoria de Alexandre de Moraes, investiga se Flávio teria cometido lavagem de dinheiro por meio de uma casa de apostas.
Durante a apuração, a PF quebrou o sigilo telemático do advogado Willer Tomaz, amigo do senador, e encontrou e-mails que indicariam o cadastro de Flávio como “usuário master” de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa pertencente a Tomaz.
Em relatório, a Polícia Federal apontou “elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto”. A empresa foi a primeira a obter autorização estadual da Loterj, no Rio de Janeiro, para explorar apostas esportivas de cota fixa.
Flávio e Tomaz confirmam a amizade, mas negam sociedade entre si e qualquer irregularidade.
O senador também responde a um inquérito no STF por suspeita de calúnia contra Lula. O caso envolve uma publicação feita por Flávio na rede social X, antigo Twitter, em 3 de janeiro de 2026.
Na postagem, ele atribuiu ao presidente crimes como tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Em julho, a Polícia Federal cancelou o depoimento do senador após a defesa apresentar esclarecimentos.
No domingo (25), Moraes determinou que Flávio entregasse seus passaportes à PF até as 11h desta terça-feira (27) e proibiu que deixasse o Brasil. O senador não cumpriu a determinação dentro do prazo.
A chegada aos Estados Unidos foi anunciada por Simón Levy em publicação na rede social X. O advogado também atribuiu ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a articulação da viagem.
O jornal argentino Infobae informou que Flávio teria cruzado a fronteira por Puerto Iguazú, na Argentina, antes de seguir para os Estados Unidos. A Polícia Federal apura o trajeto. Segundo informações divulgadas pelo blog da Andréia Sadi, não havia registro de passagem do senador por pontos regulares de controle migratório brasileiro.
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O mandato de Flávio como senador termina em 2027. Mesmo após deixar o cargo, os processos podem continuar no Supremo, conforme entendimento firmado pelo tribunal em 2025.
A decisão estabelece que investigações sobre crimes supostamente cometidos durante o exercício do cargo e relacionados às funções desempenhadas pela autoridade podem permanecer na Corte após o fim do mandato.
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