Farinha Lima
Publicado em 24/06/2026, às 07h00 Foto: Criada por IA Farinha Lima
Se existe um personagem que insiste em reaparecer nas histórias que cercam determinadas instituições financeiras, este parece ser Ihury Darmont. O advogado volta a ser citado no caso envolvendo o Digimais, após a nova polêmica que atingiu o banco e o empresário Roberto Campos Marinho, sócio da Yards. Coincidência ou não, Darmont surge novamente ao lado da ID Corretora, administradora de fundos ligados à Ambipar e ao próprio Digimais, após adquirir créditos considerados duvidosos de clientes em nome de pessoa física.
Enquanto o caso do Banco Master segue produzindo capítulos, a diretoria de fiscalização do Banco Central continua colecionando perguntas sem respostas em outras frentes. O Banco Pleno permanece fora do radar dos fiscais e, agora, o Digimais reaparece no noticiário em meio a uma polêmica envolvendo o empresário Roberto Campos Marinho, sócio da gestora Yards.
Coincidência ou não, a trama traz novamente ao palco a ID Corretora, administradora de fundos ligados à Ambipar e ao próprio Digimais, além do advogado Ihury Darmont, apontado como comprador de créditos considerados de difícil recuperação de clientes em nome de pessoa física.
A gestão de Ricardo Nunes parece ter descoberto que basta colocar um “smart” na frente de qualquer equipamento para ele virar tecnologia de ponta. Depois do Smart Sampa, da SmartCop, da supercâmera e do helicóptero que promete vigiar a capital 24 horas por dia, ficou a dúvida que realmente importa: quem é o gênio do marketing da Prefeitura de São Paulo? Se depender da criatividade, logo vem aí o SmartCafé, o SmartBuraco, o SmartSemáforo e até o SmartIPTU. O problema será explicar ao contribuinte se a cidade também ficará smart na hora de tapar buracos, reduzir filas na saúde e acabar com os furtos de celular...
A debandada de candidaturas ao governo de São Paulo parece estar fazendo as contas fecharem mais cedo para o grupo do governador. As desistências de Kim Kataguiri e Paulo Serra afunilaram a disputa e reforçaram a percepção de que a corrida pode até dispensar segundo turno. Como os dois pescavam votos no mesmo lago do eleitorado de centro-direita, a tendência é que boa parte desse contingente desembarque no palanque de Tarcísio de Freitas, que já lidera as pesquisas.
A autorização concedida pelo governo paulista para que o Digimais oferecesse empréstimos consignados a policiais militares ganhou novos contornos depois da operação desta semana contra alvos ligados ao banco. O detalhe que chama atenção é que uma representação pedindo investigação sobre o aval dado ao negócio foi arquivada pelo Ministério Público de São Paulo no mês passado.
Firmado em setembro de 2025, o convênio abriu ao Digimais um mercado de mais de 80 mil policiais militares ativos em São Paulo. A iniciativa agora ganha contornos delicados após a operação que atingiu alvos ligados ao banco, com bloqueio de mais de R$ 670 milhões em bens e quebra de sigilos determinada pela Justiça. Nos bastidores, a pergunta é se alguém conferiu o cadastro antes de liberar tamanho cheque em branco.
No coração da Faria Lima, onde o metro quadrado compete com o PIB e o café custa como experiência premium, a Polícia Civil resolveu interromper a rotina corporativa com uma visita pouco protocolar. A Operação Gladiador identificou uma “biqueira de condomínio” funcionando discretamente no Itaim Bibi, a poucos passos da vitrine financeira da cidade.
Depois de dias de campana com drone, imagens e vigilância de “movimentação suspeita”, dois homens foram presos e um terceiro ainda segue no modo incógnito. As gravações anexadas ao inquérito mostram o entra e sai típico, mas não de reunião de negócios. No fim, sobra o contraste: enquanto uns falam de inovação e mercado, outros lembram que nem tudo ali circula na bolsa, parte circula sob o olhar atento da polícia.
No horário de almoço, o Brasil corporativo anda trocando o “vamos almoçar fora?” pelo som discreto do micro-ondas apitando nas copas. De São Paulo a Brasília, a fila não é mais no restaurante disputado da esquina, mas no revezamento do pote plástico, um ritual cada vez mais democrático, que já alcança até quem jurava fidelidade ao prato executivo “com experiência gastronômica”.
A explicação não vem com tempero sofisticado: é inflação mesmo, daquelas que não cabem no cartão corporativo. Com a conta do restaurante subindo mais rápido que o intervalo de almoço, até executivos passaram a fazer as contas do arroz com feijão de casa versus o cafezinho gourmet da rua. No fim, a economia da marmita vai virando um novo indicador macroeconômico não oficial aquele que não aparece no boletim do Banco Central, mas aparece todos os dias na copa do escritório.
Depois da Polícia Federal e da PGR rejeitarem a segunda tentativa de delação de Daniel Vorcaro, o roteiro só ganhou mais capítulos no Supremo Tribunal Federal. Entre idas e vindas, o banqueiro segue preso, enquanto cada decisão parece menos “encerramento de caso” e mais “gancho para o próximo episódio”. Na Segunda Turma, a troca de comando entre Gilmar Mendes e Luiz Fux promete mudar o ritmo da pauta, mas não necessariamente o enredo. Com André Mendonça no centro do tabuleiro e votos que se alinham ou desalinham como elevador em dia de pico, o caso vai seguindo firme: lento, complexo e com zero chance de final previsível.