Farinha Lima
por Farinha Lima
Publicado em 10/06/2026, às 07h00
A Latam resolveu dar uma aterrissagem nos planos de expansão. Depois de reduzir as operações neste mês de junho, a companhia deve cortar cerca de 3% da capacidade prevista para julho. O culpado? O combustível que continua se comportando como artigo de luxo... de novo. O crescimento continua existindo, mas agora em versão econômica. E sem direito a bagagem despachada!
O curioso é que a Latam ainda fala em expansão de dois dígitos na comparação com o ano passado. Ou seja, o avião continua acelerando, só tirou um pouco o pé do acelerador para conferir o preço do querosene.
Terminada a Parada LGBT+ de São Paulo, sobrou glitter, latinha e uma pergunta espalhada pela Avenida Paulista: por onde andava Ricardo Nunes? Enquanto toneladas de lixo se acumulavam após o evento, o prefeito estava com o celular em “modo avião” e deixou a cidade entregue ao caos!
Depois de virar estrela de cinema no “Dark Horse”, Jair Bolsonaro agora pode acabar inspirando uma continuação policial. Parlamentares do PSOL acionaram STF e Ministério Público para investigar contratos milionários da Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada à produtora do filme bolsonarista. No roteiro investigado pela Polícia Civil aparecem suspeitas de direcionamento, sobrepreço, pagamentos sem comprovação e internet pública que talvez só tenha funcionado mesmo no mundo da ficção. Se depender das apurações, o enredo promete mais tensão que muito thriller político de streaming.
A Prefeitura de São Paulo está na bronca contra o Ministério Público. A gestão Ricardo Nunes recorreu da decisão que exige custo zero para os cofres municipais em megashows na Avenida Paulista e alegou que não dá para organizar evento para milhões de pessoas sem gastar um tostão sequer. Mas a pergunta que fica, é: o contribuinte está disposto a bancar a farra?
Contrariando parte da tropa bolsonarista antivax, Tarcísio de Freitas saiu em defesa da vacina contra a dengue do Butantan mesmo após a suspensão temporária determinada pelo Ministério da Saúde. O governador paulista afirmou confiar na segurança do imunizante e disse que a interrupção é apenas uma medida de cautela enquanto são investigadas reações adversas registradas durante a campanha.
Visualizando de longe a ameaça de um novo tarifaço norte-americano, Lula decidiu recorrer a uma estratégia clássica da política brasileira: pedir para alguém conversar com quem realmente toma a decisão. A missão agora será dos empresários brasileiros, convocados para convencer seus colegas estadunidenses de que as justificativas de Trump para aumentar tarifas contra o Brasil fazem tanto sentido quanto churrasco vegano em reunião do agro.
A aposta do Planalto é que executivos consigam espaço onde diplomatas e notas oficiais tropeçam. O governo transformou o empresariado em um esquema onde a exportação continua, mas a defesa dos interesses nacionais vem no pacote corporativo.
Brasília passou as últimas semanas consumindo a novela Daniel Vorcaro como quem acompanha série de suspense: muita expectativa e, até agora, nenhum episódio "Master" capaz de derrubar a internet.
As sucessivas idas e vindas na negociação da delação fizeram políticos de todos os campos reduzirem o estoque de calmantes e aumentarem a confiança de que o terremoto anunciado talvez não passe de um sustinho.
Nos corredores do poder, a avaliação que ganha força é a de que a PF pode rejeitar novamente o acordo por falta de grandes novidades. A proposta até ficou mais completa e detalhada, mas não necessariamente com revelações inéditas. Em Brasília, é óbvio que o problema nunca foi a quantidade de fatos, mas encontrar um que ainda não tenha vazado.
Lula prepara uma nova tarefa para seu vice, Alckmin: coordenar parte da campanha petista em São Paulo, principalmente no interior. A escolha faz sentido. Afinal, se existe alguém capaz de conversar com prefeitos, empresários, produtores rurais e eleitores desconfiados sem causar alergia imediata, esse alguém atende pelo apelido de "picolé de chuchu".
O desafio, porém, não é pequeno. A missão inclui reduzir a resistência ao PT em enfraquecer a influência de Tarcísio entre prefeitos e lideranças do agro. Em outras palavras, Alckmin foi escalado para vender guarda-chuva em dia de sol. O prêmio seria levar a disputa paulista para o segundo turno e ajudar Lula no tabuleiro nacional contra Flávio Bolsonaro.
O desgaste da ala mais barulhenta da direita em meio ao caso Master, que ainda anda solto, produziu um efeito curioso na Faria Lima: mais jantares. Muitos jantares. Entre uma taça de vinho e outra, empresários e investidores intensificaram reuniões reservadas em busca da figura quase mitológica que surge a cada eleição: o candidato de centro-direita moderado, previsível e amigável ao mercado.
O problema é que essa busca costuma lembrar uma caça ao unicórnio. Todos dizem conhecer alguém que conhece alguém que encontrou um exemplar, mas ninguém consegue apresentar o bicho em público.
O TSE distribuiu os R$ 4,9 bilhões do Fundo Eleitoral e confirmou aquilo que os partidos já sabiam: democracia também exige caixa. O PL saiu com a maior fatia, seguido pelo PT, garantindo que as duas máquinas mais competitivas do país tenham combustível suficiente para rodar muito além do horário eleitoral.
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