☰
✕

Negócios

Bolsa de Valores perde R$ 873 bilhões em valor de mercado no pós-segundo turno

Reação do mercado financeiro brasileiro ao resultado do segundo turno eleitoral tem sido marcada por uma onda de aversão ao risco  |  Foto: Reprodução/Magnific

Publicado em 29/10/2026, às 14h15   Foto: Reprodução/Magnific   Marina do Val

Nos primeiros dias após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva o valor de mercado consolidado das empresas listadas na B3 sofreu uma retração de R$873 bilhões, segundo levantamento realizado pela consultoria Elos Ayata. 

O movimento de queda teve seu momento mais crítico na segunda-feira (26), quando a bolsa registrou um circuit breaker e desvalorização de quase 14%. O pessimismo persiste nos dias seguintes, refletindo o desmonte acelerado de posições por parte de investidores e a revisão de cenários por grandes instituições financeiras.

Deterioração do risco fiscal 

A principal fonte de incerteza entre os agentes econômicos reside nos rumos da política fiscal e na capacidade de manutenção da disciplina de gastos sob a nova gestão. Diante dessa perspectiva, instituições internacionais, como Citigroup e BCA Research, rebaixaram a recomendação para os ativos brasileiros. 

A BCA Research alertou ainda para o aumento dos riscos de inadimplência, desaceleração do crescimento econômico e pressões inflacionárias decorrentes da depreciação cambial. 

No âmbito do crédito, à agência de classificação de risco Moody's ressaltou em relatório que a falta de um compromisso firme com a consolidação fiscal pode prejudicar a avaliação de crédito do país no longo prazo.

Para a instituição, a perspectiva de manutenção da trajetória atual de ajustes fiscais graduais pode prolongar os déficits nominais, encarecer os custos de financiamento e elevar o peso da dívida pública.

Foto: Reprodução/Magnific
Foto: Reprodução/Agência Brasil
Foto: Reprodução/Magnific

Juros futuros e impacto

O estresse do mercado também se refletiu na curva de juros futuros. Logo no início da semana, as taxas avançaram mais de 250 pontos-base em diversos vencimentos, mantendo-se em patamares elevados. 

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028, por exemplo, alcançou o nível de 14,43%.

Nos fundos multimercados, amostras de rentabilidade indicam recuos de até 21%. Já nas estratégias L/S (Long & Short), em carteiras com maior exposição comprada em ações, as perdas chegaram a ultrapassar 40% em um único dia.

Taxa Selic e Copom

A forte deterioração das projeções e o aumento dos prêmios de risco alteraram o planejamento do Banco Central. Se antes o mercado previa continuidade no ciclo de afrouxamento monetário, o cenário atual reduz drasticamente o espaço para cortes na taxa Selic, hoje fixada em 13,75% ao ano. 

Com o Comitê de Política Monetária (Copom) prestes a se reunir na próxima semana, a autoridade monetária estará sob pressão para sinalizar como pretende reagir ao choque nos preços dos ativos e às novas expectativas de inflação e fiscal.

Classificação Indicativa: Livre


TagsB3Banco CentralInflaçãoDesvalorizaçãoLuiz Inácio Lula da SilvaJurosPressõesTaxa selicRetraçãoCopom

Leia também


Crise nos mercados financeiros e alta no dólar deve se prolongar, avaliam analistas econômicos


Lula diz que vai comprar dívidas “por um preço de banana”