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Publicado em 08/10/2026, às 23h00 Foto: Reprodução/Divulgação Andrezza Souza
A Carbon, apontada como a maior empresa de blindagem automotiva do país, pediu recuperação extrajudicial para renegociar uma dívida de R$ 371,47 milhões. O plano envolve a C Blindados, a Opera Glass e a Vertco Blindagem e foi apresentado à Justiça de São Paulo.
A empresa atribui as dificuldades financeiras ao custo elevado do crédito e aos investimentos realizados para ampliar sua capacidade industrial. O pedido foi formalizado em 5 de outubro, após a assinatura do plano em 21 de setembro. Na manhã de 8 de outubro, ainda não havia decisão judicial sobre o processamento do caso.
Apesar do crescimento da receita, o grupo enfrenta pressão sobre o caixa. O faturamento líquido passou de R$ 465 milhões, em 2024, para R$ 673 milhões, em 2025, uma alta de aproximadamente 45%.
Segundo as informações apresentadas pela companhia, o custo médio da dívida chegou a 22% ao ano. Ao mesmo tempo, os compromissos financeiros com vencimento nos 12 meses seguintes somavam R$ 139 milhões, enquanto a geração de caixa prevista era de R$ 52 milhões.
Outro fator citado foi o investimento de cerca de R$ 80 milhões em uma fábrica de vidros blindados em Jarinu, no interior de São Paulo. A unidade começou a operar em abril de 2026, com atraso de quase 12 meses em relação ao cronograma inicial.
Os credores financeiros concentram R$ 315,6 milhões, o equivalente a aproximadamente 85% do passivo incluído na negociação.
Entre os maiores credores estão o Amadeus FIDC, com R$ 95,27 milhões, e o Banco Digimais, com R$ 61,43 milhões. Também aparecem o SSG FIDC, com R$ 38,41 milhões; o Banco do Brasil, com R$ 35,67 milhões; o Bradesco, com R$ 17,53 milhões; o Santander, com R$ 16,40 milhões; e a Porto Seguro, com R$ 16,39 milhões.
A proposta prevê a captação de entre R$ 60 milhões e R$ 100 milhões em novos recursos. Os credores que participarem desse financiamento poderão receber a totalidade dos valores devidos, corrigidos pelo DI, acrescido de um spread anual entre 3% e 6,5%.
Para os credores financeiros que não aderirem à nova captação, o plano oferece alternativas de pagamento. Uma delas prevê o recebimento de 15% da dívida em 18 parcelas. A opção padrão estabelece recuperação de 5% do valor devido, com a maior parcela prevista para o nono ano.
Quando o pedido foi apresentado, credores que representavam 47,63% dos créditos abrangidos já haviam assinado o plano. Para avançar, a proposta precisa superar a marca de 50% de adesão, conforme as condições aplicáveis à recuperação extrajudicial.
O plano ainda pode receber questionamentos dos credores e depende da análise judicial. A renegociação busca reorganizar os pagamentos e permitir que a companhia enfrente seus compromissos financeiros sem interromper suas atividades.
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