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Galeria dos Pães: investigação revela bastidores de disputa milionária

Galeria dos Pães enfrenta investigação por fraude e repasses em meio a conflito entre herdeiros  |  Galeria do Pães - Instagram @galeriadospaes

Publicado em 18/04/2026, às 09h12   Galeria do Pães - Instagram @galeriadospaes   Andrezza Souza

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Sócios da padaria foram indiciados pela Polícia Civil por suposto furto de R$ 4,2 milhões e fraude processual. O caso envolve uma disputa familiar pelo controle da padaria no Jardim América, zona oeste de São Paulo. Segundo o inquérito, valores saíram do caixa da empresa e foram transferidos a um escritório de advocacia. A investigação segue sob segredo de Justiça e veio a público após negativa de habeas corpus pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

Origem da disputa e acusações na Justiça

A Galeria dos Pães foi fundada pelos irmãos Milton Guedes de Oliveira e Oswaldo Guedes de Oliveira, que morreu em 2008. Após a morte, a empresa foi herdada pela viúva Maysa Schoeler Maldonado e por dois filhos de um relacionamento anterior.

Em junho de 2024, a viúva e os herdeiros contrataram o advogado Adolfo Gois para retirar Milton do controle do negócio. Na Justiça, os familiares alegaram que o fundador vendia produtos fora do prazo de validade e teria admitido sonegação fiscal.

Nos processos, também foi apresentada acusação de sonegação de R$ 155 milhões. As fotografias foram anexadas como prova de venda de produtos considerados impróprios.

Investigação aponta fraude processual e manipulação de provas

A apuração da Polícia Civil indica que houve fraude processual no uso das imagens apresentadas. Um dos registros mostrava um sanduíche com uma lesma, que teria sido servido a clientes.

O material foi citado em peça assinada por Adolfo Gois. No documento, o advogado afirmou que havia “lesmas perambulando pelos balcões da empresa”.

Segundo o inquérito, a imagem não foi registrada na Galeria dos Pães, mas em outra padaria da família, chamada Dengosa. A investigação também aponta divergências sobre quem administrava esse estabelecimento.

Um funcionário declarou que a gestão era feita por Maysa Maldonado. Ela afirmou que administrava a padaria, mas sem autonomia de decisão, atribuída a Milton.

Transferências financeiras e indiciamento

A investigação detalha que R$ 4,2 milhões foram retirados do caixa da Galeria dos Pães e enviados ao escritório da advogada Maria Schaffer Gois, que atuou com o pai na defesa dos herdeiros.

Os valores foram transferidos em duas etapas. Em 14 de novembro de 2024, houve pagamento de R$ 4,1 milhões. Quatro dias depois, foi realizada nova transferência de R$ 160 mil.

Entre 14 e 19 de novembro, parte do montante foi distribuída a dois herdeiros. Cada um recebeu R$ 1 milhão por meio de quatro transferências via Pix.

Segundo a delegada Sabrina de Almeida, o retorno dos valores a contas pessoais indicaria intenção de subtrair recursos. A avaliação consta no inquérito policial.

Defesa e posicionamento das partes

Adolfo Gois afirmou que os valores recebidos correspondem a honorários advocatícios. Segundo ele, R$ 2 milhões foram pagos por serviços acordados, mas não executados integralmente.

O advogado também declarou que havia previsão de atuação em três ações, mas apenas uma foi realizada. Ele ainda questionou a condução da investigação.

Maria Schaffer Gois e Maysa Maldonado não responderam à reportagem do Metrópoles. A defesa de Milton Oliveira não quis se pronunciar. O espaço segue aberto.

Afastamento, acordo e situação atual

Por decisão judicial, Milton foi afastado da gestão da Galeria dos Pães em outubro de 2024. No mês seguinte, ocorreram as transferências investigadas.

Em novembro de 2025, o litígio entre as partes foi encerrado por acordo. Mesmo assim, o caso segue na Justiça em razão do indiciamento apresentado pela polícia em dezembro.

Atualmente, a padaria é administrada por Milton Oliveira e seus filhos.

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TagsPolícia CivilGaleria dos Pãesinvestigação por fraude

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