Polícia
por Amanda Ambrozio
Publicado em 19/07/2026, às 12h05
Moradores da região do Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, manifestaram preocupação com a possibilidade de ampliação do horário de funcionamento do terminal.
Eles afirmam que o intenso fluxo de aeronaves já provoca impactos diários, como ruídos constantes, janelas tremendo e dificuldade para descansar, e temem que a flexibilização torne a situação ainda mais crítica.
O debate ganhou força após a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) solicitar à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorização para que o aeroporto possa receber pousos e decolagens antes das 6h e após as 23h.
No entanto, de acordo com o Metrópoles, o horário só seria considerado em situações consideradas excepcionais, como eventos climáticos que afetem a malha aérea nacional. O pedido ainda está em análise.
Segundo a concessionária Aena Brasil, responsável pelo aeroporto, Congonhas registra mais de 590 pousos e decolagens por dia, com uma aeronave operando, em média, a cada dois minutos e meio.
A proposta foi debatida em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), onde cerca de 20 associações de moradores apresentaram uma nota conjunta de repúdio à flexibilização.
Moradora de Moema, Stefânia Muniz afirma que a rotina da família é completamente influenciada pelo movimento do aeroporto.
"De manhã, os aviões acordam todo mundo, as janelas tremem e não é possível descansar. Muitas vezes precisamos interromper uma conversa até o avião passar, porque o barulho é muito mais forte", relata.
Durante a audiência, o consultor em aviação Claudio Louzada defendeu a adoção de medidas para diminuir o impacto sonoro das operações antes de qualquer discussão sobre ampliar o horário de funcionamento.
Entre as propostas estão a aplicação de procedimentos de redução de ruído nas decolagens, maior altitude nas curvas sobre bairros residenciais, utilização de aeronaves mais silenciosas e a instalação de estruturas para isolar acusticamente testes de motores.
Em nota, a Abear afirma que a medida seria restrita a casos de emergência e teria como objetivo reduzir os impactos de interrupções operacionais aos passageiros.
Já a Aena informou que qualquer autorização depende de análise prévia do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e da aprovação da Anac, cabendo à concessionária apenas avaliar se há condições operacionais para atender a solicitação.
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