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O que diz o Nubank sobre bloqueio de contas por “indícios de ilícitos”?

Relatos de clientes do Nubank indicam cancelamento de contas e valores retidos após bloqueios aplicados pela instituição financeira.  |  Foto: Divulgação/Nubank

Publicado em 12/03/2026, às 10h08   Foto: Divulgação/Nubank   Fernanda Montanha

Relatos de clientes do Nubankindicam que contas foram canceladas e valores ficaram indisponíveis após bloqueios aplicados pela instituição. Em alguns casos, os correntistas conseguiram recuperar o dinheiro depois de decisões judiciais.

Segundo os processos analisados, os bloqueios foram justificados pelo banco digital com base em suspeitas de irregularidades. Os clientes tiveram contas suspensas e valores retidos sob a alegação de “indícios de ilícitos”, conforme as justificativas apresentadas pela instituição.

Em nota, o Nubank afirmou que utiliza medidas de segurança para proteger usuários e o sistema financeiro. A fintech declarou que, quando são identificadas movimentações consideradas incompatíveis com o perfil do cliente, podem ser aplicados bloqueios preventivos, segundo o Metrópoles.

A empresa também informou que realiza monitoramento constante das contas. De acordo com o banco, as restrições podem ser adotadas como forma de mitigar riscos e prevenir usos indevidos do sistema financeiro.

Ainda segundo a instituição, os processos de segurança são atualizados continuamente e os canais de atendimento permanecem disponíveis para suporte aos clientes. O banco ressaltou que não comenta situações específicas em razão do sigilo bancário e da privacidade.

Casos chegaram ao Tribunal de Justiça

Alguns episódios foram levados ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, onde clientes questionaram judicialmente as medidas adotadas. Nos processos analisados, os valores foram liberados após decisões da Justiça.

Em uma das situações, envolvendo um centro de estética localizado em Águas Claras, o bloqueio atingiu uma quantia elevada. Mais de R$ 2 milhões ficaram indisponíveis na conta da empresa após a aplicação do bloqueio pelo banco.

Nos autos do processo, a empresa informou que o valor havia sido creditado no mesmo dia do bloqueio. Segundo a defesa, tratava se de restituição tributária referente a pagamentos feitos a mais ao longo de vários anos.

O dinheiro foi transferido pela Receita Federal do Brasile depositado na conta da empresa por meio do Banco do Brasil. De acordo com os advogados, a origem pública do recurso poderia ser confirmada facilmente durante a análise.

Apesar disso, o bloqueio foi mantido e a conta acabou sendo encerrada unilateralmente. Quatro dias após a primeira restrição, o banco cancelou a conta sem transferir o saldo para outra conta da mesma titularidade.

A restrição inicial ocorreu em 20 de janeiro deste ano. A liberação do valor foi determinada judicialmente apenas no dia 4 do mês seguinte.

Decisões judiciais e indenizações

Na contestação apresentada à Justiça, o Nubank afirmou que o bloqueio ocorreu após sistemas de monitoramento detectarem movimentações consideradas atípicas. A instituição declarou que a medida foi tomada para permitir uma análise mais aprofundada das operações.

Após as verificações internas, o banco informou ter optado pelo encerramento definitivo da conta. Segundo a fintech, os mecanismos de segurança e compliance foram acionados após comportamento transacional considerado suspeito.

Na decisão judicial, a juíza Márcia Alves Martins Lôbo afirmou que o banco não comprovou irregularidades nas movimentações. Também destacou que não houve demonstração de comunicação às autoridades sobre possível atividade ilícita.

Outro processo analisado ocorreu na Vara Cível de Ceilândia. A cliente relatou constrangimentos após ter conta e cartão bloqueados sem aviso prévio e solicitou indenização por danos morais.

No julgamento, a desembargadora Leila Arlanch avaliou que não foram apresentados elementos que justificassem a restrição. A decisão considerou indevido o bloqueio quando a instituição financeira não aponta de forma clara a conduta supostamente ilícita.

Nesse caso, foi fixada indenização de R$ 8 mil por danos morais. Outro processo semelhante resultou na reabertura da conta e no pagamento de R$ 3 mil ao cliente afetado.

Classificação Indicativa: Livre


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