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Publicado em 24/03/2026, às 08h21 Foto: Reprodução/Unsplash Fernanda Montanha
O CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, afirmou que uma eventual obrigatoriedade de contratação formal dos motoristas no Brasil pode impactar diretamente o funcionamento da empresa no país.
Durante entrevista para a Folha de SP, o executivo avaliou que mudanças na legislação trabalhista poderiam alterar o modelo atual da plataforma. Segundo ele, a exigência de contratação formal reduziria a operação e poderia elevar o preço das corridas em até 60%, afetando tanto usuários quanto parceiros.
Apesar da preocupação, Khosrowshahi reforçou o compromisso com o mercado brasileiro. Ele declarou que a empresa pretende continuar atuando no país, independentemente das decisões regulatórias, mantendo diálogo com autoridades.
A visita do executivo ao Brasil incluiu encontros em Brasília para tratar do projeto de lei 152/2025, que propõe regras para o trabalho por aplicativos. A proposta prevê remuneração mínima, acesso à Previdência Social e mudanças na classificação das plataformas.
Para a Uber, é importante garantir direitos aos motoristas, mas sem alterar a natureza do serviço. A empresa defende que deve ser reconhecida como plataforma tecnológica, e não como prestadora direta de transporte, ponto central nas negociações com o governo.
O Brasil ocupa posição estratégica dentro da operação global da companhia. O país lidera em número de viagens realizadas, superando outros mercados relevantes. Mais de 85% dos brasileiros já utilizaram o serviço ao menos uma vez, de acordo com dados da própria empresa.
Desde o início das atividades, em 2014, já foram registradas bilhões de corridas, gerando receitas significativas para os motoristas. A base de parceiros ultrapassa 2 milhões, incluindo condutores de carros e motos.
A empresa também tem ampliado sua presença tecnológica no país. Um centro de desenvolvimento foi instalado em São Paulo, com planos de expansão para o Rio de Janeiro. Os investimentos na área devem superar R$ 2 bilhões, com expectativa de dobrar o número de engenheiros, responsáveis por soluções usadas globalmente.
Além disso, a Uber estuda iniciativas para facilitar o acesso ao crédito para motoristas. A ideia é permitir que bancos analisem histórico de corridas e renda, tornando financiamentos mais acessíveis.
Entre os produtos em expansão, o uso de motos aparece como alternativa mais econômica, especialmente diante do alto custo de veículos no Brasil. A empresa também acompanha discussões locais sobre regulamentação desse serviço.
No campo da inovação, os carros autônomos seguem em desenvolvimento. A expectativa é que essa tecnologia ainda leve cerca de 10 anos para aparecer de forma mais ampla no Brasil, devido a desafios relacionados ao trânsito e à adaptação às condições locais.
Mesmo com incertezas regulatórias, a empresa mantém uma perspectiva de continuidade no país, apostando em negociações para equilibrar interesses de motoristas, usuários e governo.