Polícia
Publicado em 01/09/2026, às 11h05 Foto: TJSP/Divulgação Natane Ramos
Um grupo de estudantes de medicina do interior de São Paulo entrou com uma ação na Justiça contra a Universidade de Santo Amaro (Unisa) após uma reprovação em massa.
A Justiça determinou que a Unisa suspendesse as reprovações e garantisse o acesso deles às aulas. O conflito com os estudantes iniciou depois da instituição retirar pontos extras prometidos aos alunos em uma campanha pedagógica, o que gerou reprovações em massa, impedindo a rematrícula dos alunos.
A campanha "Construindo Resultados" oferecia pontos extras nas médias para alunos do internato médico que realizassem as metas. No entanto, os estudantes afirmaram que, após atingirem os objetivos, as notas eram excluídas do histórico no fim do semestre.
Os estudantes da universidade movimentaram uma retaliação contra a Unisa, reclamando sobre a falta de estrutura do curso, e a Unisa rebateu apontando suposta má-fé dos alunos por usarem "modo estudo" (em que as respostas aparecem na tela) e registros eletrônicos do uso de "robôs" para responder as questões em segundos. A instituição chegou a abrir um boletim de ocorrência no Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) apontando suposta fraude.
Apesar da argumentação contra os estudantes, a juíza Fernanda Augusta Jacó Monteiro rejeitou a tese da faculdade, declarando que a existência de um inquérito não comprova fraude e a campanha não possuía regras claras sobre velocidade ou proibição do "modo estudo".
A magistrada manteve a multa diária de R$ 5 mil por descumprimento, limitada a R$ 300 mil, e destacou que a universidade deve regularizar a situação dos estudantes em 48h. Apesar das ordens judiciais, a defesa dos alunos afirma que a Unisa permanece com o bloqueio.
"A liminar que resguarda o direito dos alunos ao estudo de medicina foi quase integralmente confirmada em segunda instância pelo tribunal, mas a faculdade insiste em descumprir as determinações e se recusa a apresentar os registros eletrônicos exigidos pelo juízo", revelou o advogado Hugo Palo Neto ao g1.
Os estudantes alegam sofrer prejuízos financeiros e acadêmicos após o bloqueio, e preferiram não revelar a identidade com medo de represália. "Foram cometidos diversos erros e negligências que nos afetaram diretamente e prejudicaram a nossa formação", disse uma acadêmica.