Política
por Amanda Ambrozio
Publicado em 01/09/2026, às 13h11
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez um novo repasse de US$ 1,6 milhão, equivalente a R$ 8,5 milhões na cotação da época, ao fundo responsável por administrar recursos do filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A informação foi divulgada pela revista Piauí nesta terça-feira (1), com base em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O dinheiro foi transferido em 16 de setembro de 2025 para o Havengate Development Fund, quando já havia suspeitas envolvendo o Banco Master, então controlado por Vorcaro. Menos de duas semanas antes, o Banco Central havia rejeitado a venda da instituição financeira para o BRB.
Com o novo repasse, o total destinado por Vorcaro ao fundo teria passado de US$ 10,6 milhões para US$ 12,3 milhões. Em valores atuais, os montantes equivalem a aproximadamente R$ 54,9 milhões e R$ 63,7 milhões, respectivamente.
O filme ganhou destaque nas últimas semanas após a divulgação de áudios em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede R$ 61 milhões a Vorcaro para concluir a produção.
A revelação colocou a obra no centro de questionamentos sobre a origem e o destino dos recursos utilizados para financiar o longa, além da relação entre o ex-banqueiro e integrantes da família Bolsonaro.
Segundo a Folha de S. Paulo, ainda existem indícios de outro pagamento feito por Vorcaro, com base em conversas mantidas com o publicitário Thiago Miranda.
A assessoria de Flávio Bolsonaro ainda não se manifestou sobre o caso.
Em entrevista à TV Globo na sexta-feira (28), Flávio Bolsonaro voltou a comentar a relação financeira com Vorcaro. O senador afirmou que o assunto já foi esclarecido e disse ter apresentado a prestação de contas relacionada aos recursos.
Ele se referiu a um laudo pericial elaborado a pedido da Go Up Entertainment, produtora de "Dark Horse". O documento, porém, não detalha alguns pontos considerados relevantes sobre o caminho percorrido pelo dinheiro.
Flávio afirmou que não há mais dúvidas sobre a questão e classificou o caso como encerrado.
Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para investigar os repasses destinados ao filme.
Antes da decisão, Mendonça havia solicitado manifestação do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O chefe do Ministério Público Federal avaliou que havia elementos suficientes para justificar a abertura formal da investigação.
O pedido partiu do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que defendeu a necessidade de apurar a transferência de recursos de Vorcaro aos Estados Unidos sob a justificativa de financiamento da produção cinematográfica.
Uma das hipóteses investigadas pela Polícia Federal é a possibilidade de parte dos recursos destinados ao filme ter sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O deputado federal vive no país desde fevereiro de 2025 e nega ter utilizado recursos de Vorcaro para bancar suas despesas.
A PF também pretende esclarecer se o dinheiro enviado aos Estados Unidos foi utilizado em outras atividades de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo do presidente americano Donald Trump.
A investigação ainda está em andamento e deverá analisar a origem, o percurso e a destinação dos valores repassados por Vorcaro ao fundo responsável pela produção de "Dark Horse".
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