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Após 30 anos preso, “justiceiro” da zona sul de SP deixa a prisão

Condenado por dezenas de homicídios, homem conhecido como “justiceiro” deixa a prisão após atingir o limite máximo de 30 anos previsto pela lei brasileira  |  Foto: Freepik.

Publicado em 12/03/2026, às 21h21   Foto: Freepik.   Bianca Novais

Considerado por investigadores como o “maior justiceiro” da zona sul de São Paulo, Joans Félix da Silva, conhecido como Jonas, será libertado nesta quinta-feira (12) após passar três décadas preso. O caso foi divulgado pelo jornal Gazeta de S.Paulo.

Hoje com 69 anos, ele estava encarcerado de forma ininterrupta desde 13 de março de 1996 e chegou a passar o 30º Natal consecutivo atrás das grades no ano passado.

Mesmo condenado a uma pena que, somada, ultrapassava 194 anos de prisão, a legislação brasileira estabelece limites para o tempo máximo de cumprimento de pena, o que abriu caminho para a libertação.

Limite legal da pena

A condenação de Jonas, se considerada integralmente, iria até o ano de 2189. No entanto, para crimes julgados antes das mudanças legais aprovadas em 2019, o período máximo de prisão no Brasil era de 30 anos.

O chamado “Pacote Anticrime”, sancionado em 2020, ampliou esse limite para 40 anos. Ainda assim, a regra não pode retroagir para prejudicar o réu, o que manteve a aplicação do limite anterior no caso do justiceiro.

A defesa também alegou que o detento trabalhou durante o período na prisão e que os dias de remição deveriam reduzir ainda mais a pena. A legislação prevê desconto de um dia de pena a cada três dias trabalhados, embora esse cálculo não tenha sido reconhecido pelas instâncias judiciais anteriores.

A origem da série de crimes

Segundo as investigações, Jonas foi acusado de matar ao menos 50 pessoas, embora tenha confessado 34 homicídios à polícia.

Ele afirmou em depoimentos que agia sozinho e que escolhia vítimas que considerava criminosas. O termo “justiceiro”, usado para descrevê-lo, se refere a indivíduos que fazem “justiça com as próprias mãos”, executando pessoas suspeitas de crimes ou que teriam descumprido acordos no mundo do crime.

De acordo com as apurações, a sequência de assassinatos teria começado em 1986, depois que a casa onde ele vivia com a esposa e três filhos foi invadida e sua companheira sofreu abuso durante a ação criminosa.

Prisão, fuga e recaptura

Jonas foi preso pela primeira vez em 1992, mas conseguiu fugir dois anos depois do antigo Centro de Observações Criminológicas (COC), no complexo do Carandiru, na zona norte da capital.

Ele acabou recapturado em 13 de março de 1996, após ser localizado por policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em uma casa no Jardim Jacira, na zona sul paulistana. Durante o período em que esteve foragido, confessou ter cometido mais três assassinatos.

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