Polícia

Bolivianos denunciam trabalho escravo em fábrica de costura em SP

Três adultos e uma criança boliviana foram encontrados na fábrica de costura; o caso será investigado pela Polícia Federal  |  Foto: Reprodução/Prefeitura de Itaquaquecetuba

Publicado em 29/08/2026, às 18h05   Foto: Reprodução/Prefeitura de Itaquaquecetuba   Amanda Ambrozio

Trabalhadores bolivianos, incluindo uma mulher grávida, relataram ter sido submetidos a condições semelhantes às de trabalho escravo em uma fábrica de costura de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo.

Segundo a Guarda Civil Municipal (GCM), os trabalhadores estavam havia cerca de dois meses sem receber salários e afirmaram que trabalhavam até as 22h.

Segundo o UOL, adultos e uma criança foram encontrados em um imóvel no Parque Piratininga na quinta-feira (28).

A equipe da Ronda de Proteção à Mulher chegou ao endereço após receber uma denúncia durante patrulhamento pelo bairro e ser acompanhada por um casal até o local.

Trabalhadores foram atraídos por anúncios nas redes sociais

Segundo os relatos apresentados à GCM, os trabalhadores chegaram ao Brasil há menos de dois anos depois de encontrarem anúncios de emprego nas redes sociais.

As vagas prometiam remuneração de aproximadamente R$ 5 mil, mas, segundo as famílias, a realidade encontrada era diferente. Os trabalhadores afirmaram que estavam com dificuldades até mesmo para comprar produtos básicos, como leite e fraldas para as crianças.

Uma das mulheres que trabalhava no local conseguiu deixar o imóvel e denunciou as condições às autoridades.

Os relatos também indicam que uma responsável pelo imóvel mantinha a chave do local, o que dificultava a saída dos trabalhadores.

Foto: TV Globo
Foto: Reprodução
Foto: Magnific

Imóvel tinha condições precárias

Durante a ação, os agentes encontraram sujeira acumulada, restos de alimentos e comida estragada na geladeira. Banheiros e outros cômodos também apresentavam condições inadequadas de limpeza.

O imóvel foi preservado e deverá passar por perícia para auxiliar na investigação sobre as condições de trabalho e moradia dos trabalhadores.

As famílias receberam alimentação e atendimento na base da GCM antes de serem encaminhadas à Polícia Federal, que deverá dar continuidade à apuração.

Gestante estava no sexto mês de gravidez

Entre as trabalhadoras resgatadas estava uma mulher grávida de aproximadamente seis meses.

Segundo a GCM, ela relatou ter realizado apenas uma consulta médica durante a gravidez. A situação também será considerada durante a apuração das condições às quais os trabalhadores estavam submetidos.

Além dos adultos, uma criança estava no imóvel quando os agentes chegaram.

Polícia Federal vai investigar possível trabalho escravo

O caso será investigado para determinar como funcionava a relação de trabalho e as condições de moradia no imóvel.

As autoridades também deverão verificar se os trabalhadores tiveram seus direitos violados e se houve restrição de liberdade, exploração ou outras práticas que possam caracterizar trabalho análogo à escravidão.

A investigação deverá analisar ainda a forma como os trabalhadores foram recrutados, os pagamentos prometidos e efetivamente realizados e a responsabilidade das pessoas envolvidas na administração da fábrica.

Classificação Indicativa: Livre


TagsSão Paulotrabalho escravoPolícia FederalBolivianos

Leia também


SP: PM resgata adolescente estrangeira vítima de trabalho escravo; veja


Oito bolivianos são resgatados de trabalho análogo à escravidão em confecção no Brás