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Brasileira relata ter sido aliciada para Epstein em SP quando ainda era adolescente

Mulher afirma que foi levada à capital paulista, quando ainda era adolescente, com promessa de carreira como modelo e teve documentos retidos  |  Foto: Arte/BBC

Publicado em 11/03/2026, às 13h01   Foto: Arte/BBC   Érica Sena

Uma brasileira afirmou que foi aliciada ainda adolescente para encontros com o financista americano Jeffrey Epstein após ser atraída para São Paulo com a promessa de trabalhar como modelo. O relato faz parte de uma série de reportagens da BBC sobre possíveis conexões do caso Epstein com o Brasil.

A mulher, identificada apenas como Ana para preservar sua identidade, disse que saiu de casa aos 16 anos em busca de oportunidades no mundo da moda, como citado pelo G1.

Depois de trabalhar com uma agência no sul do país, ela recebeu a proposta de se mudar para São Paulo, onde, segundo lhe disseram, teria mais chances de conseguir trabalhos.

Documentos retidos e promessa de carreira

Segundo Ana, ao chegar à capital paulista, a mulher que a convidou para a mudança pediu seus documentos sob o argumento de que faria um passaporte para ela. A brasileira afirma que ficou meses sem recuperar a documentação e foi informada de que teria contraído uma dívida referente à passagem aérea e a um suposto book fotográfico.

Pouco tempo depois, ela diz ter descoberto que não havia qualquer trabalho como modelo previsto.

A mulher era, na verdade, uma cafetina. Quando percebi, ela estava me negociando para prostituição.

De acordo com o depoimento, um dos clientes apresentados a ela teria sido Jeffrey Epstein, que anos mais tarde seria acusado pelas autoridades americanas de comandar uma rede de exploração sexual envolvendo meninas menores de idade.

Encontros em hotel e viagens

Ana afirma que conheceu Epstein em um hotel de luxo na capital paulista, em um encontro organizado pela intermediária. Segundo ela, o financista teria escolhido com qual das jovens presentes ficaria.

A brasileira relata ainda que participou de um jantar e de uma festa na cidade com o empresário e que, posteriormente, viajou para outros países para encontrá-lo. Ela diz que recebeu um visto para os Estados Unidos com base em um suposto trabalho como modelo ligado à agência de Jean-Luc Brunel, que também foi acusado de recrutar mulheres para Epstein.

Brunel, que negava as acusações, morreu em 2022 enquanto estava preso na França aguardando julgamento.

Durante a viagem, Ana afirma que também conheceu Ghislaine Maxwell, posteriormente condenada nos Estados Unidos por recrutar adolescentes para abuso sexual.

Investigação e possíveis crimes

O relato apresentado pela brasileira foi acompanhado de documentos e informações que, segundo a reportagem, foram cruzados com registros do caso Epstein divulgados pelas autoridades americanas.

Especialistas ouvidos pela BBC avaliam que, caso os fatos sejam confirmados, a situação descrita poderia se enquadrar no crime de tráfico de pessoas, que em determinadas circunstâncias pode não prescrever segundo normas internacionais.

Após a divulgação de reportagens sobre o tema, o Ministério Público Federal abriu uma investigação para apurar se existiu uma rede de aliciamento ligada a Epstein no Brasil.

Epstein morreu em 2019 em uma cela em Nova York enquanto aguardava julgamento por novas acusações relacionadas à exploração sexual de menores. Ele já havia sido condenado anteriormente por crimes sexuais.

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