Polícia
A divulgação de mais de 3 milhões de páginas sobre o caso Jeffrey Epstein reacendeu um dos maiores escândalos de exploração sexual das últimas décadas.
Os documentos, tornados públicos recentemente, detalham a estrutura da rede comandada pelo bilionário, citam figuras influentes e ampliam o alcance internacional do caso, incluindo menções diretas ao Brasil. As informações foram divulgadas inicialmente pelo g1.
Entre 2002 e 2005, segundo as investigações, Epstein pagava centenas de dólares a meninas menores de idade para que fossem até seus imóveis e realizassem atos sexuais. Parte delas era aliciada para recrutar outras jovens.
Os abusos teriam ocorrido em propriedades nos Estados Unidos e em uma ilha particular no Caribe. O governo americano estima que mais de 250 meninas tenham sido exploradas sexualmente.
O primeiro alerta formal surgiu em 2005, após denúncias à polícia da Flórida. Epstein alegou que os encontros eram consensuais e que acreditava que as vítimas eram maiores de idade.
Em 2008, ele firmou um acordo judicial, cumpriu 13 meses de prisão e pagou indenizações. O acordo foi considerado ilegal anos depois, levando à nova prisão em julho de 2019. Um mês após ser detido, Epstein foi encontrado morto na cela; a autópsia apontou suicídio.
Documentos judiciais revelados a partir de 2024 citaram mais de 150 pessoas ligadas ao círculo do bilionário. Entre elas estão o ex-presidente americano Bill Clinton e o príncipe Andrew, do Reino Unido.
Ambos negaram envolvimento nos crimes. Andrew, embora sem condenação criminal, perdeu títulos reais e fechou um acordo judicial em 2023.
Os arquivos mais recentes reúnem milhares de vídeos, imagens e e-mails. Eles detalham a rotina de Epstein na prisão, sua morte e relações com figuras identificadas apenas por codinomes.
O presidente dos EUA, Donald Trump, aparece citado em diferentes documentos e denúncias, todas negadas por ele. Trump reconheceu ter conhecido Epstein, mas afirma ter rompido relações após o escândalo.
O Brasil surge nos arquivos em menções a um suposto “agente” que teria facilitado o contato de Epstein com garotas no país. Há relatos de brasileiras levadas para festas nos Estados Unidos e discussões sobre a compra de uma agência de modelos e a criação de um concurso de beleza.
E-mails também citam políticos brasileiros, como Jair Bolsonaro e Lula, sem relação com o esquema sexual.
Durante a campanha de 2024, Trump prometeu tornar o caso totalmente público. Após idas e vindas e pressão política, uma lei aprovada pelo Congresso determinou a divulgação integral dos arquivos.
Classificação Indicativa: Livre