Polícia
Publicado em 18/10/2026, às 07h45 Foto: Afonso Braga/Câmara Municipal de SP Andrezza Souza
A Polícia Civil de São Paulo afastou cinco servidores de suas funções durante a investigação sobre possíveis regalias concedidas ao ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. A medida foi anunciada neste sábado (17) pela Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP).
O afastamento envolve um carcereiro da unidade prisional, três delegados e um investigador que atuam na Seccional da Polícia Civil do município. A pasta também informou a abertura de inquérito policial e procedimento correicional disciplinar para apurar as suspeitas.
Segundo a SSP, os servidores prestaram depoimentos à Corregedoria-Geral da corporação no sábado. O afastamento foi determinado para evitar possíveis interferências nas apurações.
A Corregedoria também acompanhou a operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), realizada na sexta-feira (16), e determinou inspeções na cadeia pública e no 1º Distrito Policial de Mogi das Cruzes para verificar os procedimentos administrativos e operacionais das unidades.
O MPSP deflagrou na sexta-feira a Operação Custódia (In)Fiel para investigar suspeitas de favorecimento a presos na unidade onde Milton Leite está detido.
A apuração começou após uma denúncia anônima indicar que o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo receberia visitas de políticos e amigos fora dos dias e horários permitidos, inclusive à noite e aos fins de semana.
Uma decisão judicial obtida pelo Metrópoles também registra uma movimentação ocorrida em 9 de outubro, sete dias antes da operação. Na ocasião, uma mulher com características semelhantes às da delegada seccional de Mogi das Cruzes, Margarette Barreto, teria estado na unidade policial. Uma pessoa parecida com o ex-vereador teria sido retirada da carceragem e levada a uma área restrita.
As circunstâncias são investigadas pelas autoridades. A SSP afirmou que novas medidas poderão ser adotadas conforme o andamento das apurações.
Durante a operação, um carcereiro suspeito de facilitar possíveis regalias teve cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil apreendidos. Entre os políticos que teriam visitado Milton Leite sem autorização formal estão Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e os deputados estaduais Delegado Olim (PP) e Rogério Franco (PL).
A defesa de Milton Leite negou que o ex-vereador tenha recebido qualquer tipo de benefício na prisão.
Em nota, os advogados afirmaram que ele está submetido às mesmas regras, rotinas e restrições aplicadas aos demais custodiados. Também disseram que o político está à disposição das autoridades para colaborar com a investigação.
Procurada novamente após o anúncio do afastamento dos servidores, a defesa não havia respondido até a publicação da reportagem. O espaço permanece aberto.
Milton Leite está preso desde 18 de setembro, após se entregar à polícia. A prisão ocorreu no âmbito da Operação Vectura Corrupta, que investiga suspeitas de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público paulista.
O ex-vereador é suspeito de envolvimento em um esquema relacionado a empresas de ônibus e contratos públicos, incluindo a Transwolff. Ele nega as acusações e afirma ser inocente.
A investigação sobre o transporte público é um desdobramento da Operação Decúrio, deflagrada em agosto de 2024. As autoridades apuram suspeitas de uso de empresas, contratos públicos, lavagem de dinheiro e articulações políticas para favorecer integrantes da facção criminosa.
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