Polícia
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 17/10/2026, às 12h01
Um auxiliar de enfermagem foi preso preventivamente nesta sexta-feira (16), na região do Jaraguá, na Zona Norte de São Paulo, suspeito de extorquir pacientes idosos e acamados durante atendimentos domiciliares. Segundo a Polícia Civil, seis vítimas foram identificadas até o momento.
Leonardo Normando Bueno dos Santos é investigado por suspeita de extorsão, estelionato, furto e roubo. De acordo com o inquérito, ele teria se aproveitado da condição de saúde e da dificuldade de reação dos pacientes para acessar celulares e aplicativos bancários e realizar transferências via Pix sem autorização.
A investigação é conduzida pelo 15º Distrito Policial e começou após uma ocorrência registrada em 23 de julho, envolvendo um paciente com sequelas da Covid-19 que permanecia acamado em um apartamento na Vila Nova Conceição, na Zona Sul da capital paulista.
Segundo o depoimento do filho da primeira vítima, ele chegou ao apartamento por volta das 7h10 e foi informado pelo pai de que o profissional responsável pelo plantão da madrugada o havia obrigado a desbloquear o celular e os aplicativos bancários.
Conforme o relato, o paciente tentou impedir o acesso ao aparelho, virando o rosto e escondendo-o para evitar o reconhecimento facial. O auxiliar, porém, teria ameaçado machucá-lo caso não obedecesse.
A vítima acabou cedendo. De acordo com o inquérito, ela tinha movimentos apenas dos ombros para cima e não conseguia empurrar ou afastar o profissional, que permaneceu sozinho com ela no quarto durante a madrugada.
Os extratos bancários reunidos pela investigação apontam oito operações via Pix, que totalizaram R$ 8.362,15, além de tentativas de transferência que somavam R$ 2.206,46. As movimentações teriam ocorrido entre a noite de 22 de julho e a manhã do dia seguinte.
Uma câmera de segurança instalada no quarto também registrou o investigado sentado em uma poltrona. Nas imagens descritas no inquérito, ele se levanta, vai até a região do leito e retorna com um objeto nas mãos, identificado como o celular do paciente.
Outro episódio investigado envolve um comerciante de 60 anos que fazia tratamento contra o câncer e recebia assistência domiciliar.
Segundo o inquérito, em 3 de fevereiro, Leonardo foi à residência do paciente para substituir outro profissional durante uma folga. Na ocasião, teria solicitado o reconhecimento facial e a assinatura digital da vítima, sob a justificativa de que precisava cumprir uma exigência burocrática da empresa.
Naquela noite, o comerciante começou a receber notificações bancárias sobre transações. Na manhã seguinte, durante um novo atendimento, ele estranhou a aparência esbranquiçada do soro utilizado na limpeza do cateter. Segundo o relato prestado à polícia, após a aplicação, perdeu a consciência e só despertou no hospital.
A esposa afirmou aos investigadores que encontrou o marido desacordado e aparentemente sem respirar, enquanto o profissional mexia no celular. Ela disse que pediu ao auxiliar que chamasse uma ambulância, mas, diante da situação, levou o marido por conta própria ao Hospital A.C. Camargo. O paciente permaneceu internado por quatro dias.
Ainda conforme o inquérito, já no pronto-socorro, Leonardo teria solicitado novamente o reconhecimento facial e a assinatura digital, segurando a cabeça do paciente para posicioná-la diante do celular.
Os registros bancários apresentados na investigação apontam uma transferência via Pix de R$ 3.258 na manhã de 4 de fevereiro, além de compras realizadas com o cartão de crédito na noite anterior.
A empresa responsável pela assistência domiciliar informou à polícia que o reconhecimento facial não fazia parte dos procedimentos adotados pelos profissionais. Segundo a companhia, o auxiliar deveria preencher e assinar o prontuário mantido na residência, o que não teria ocorrido nesse caso.
Ao analisar outras ocorrências, os investigadores identificaram semelhanças entre os casos atribuídos ao suspeito. Conforme o inquérito, ele teria chegado às residências por meio de empresas de assistência domiciliar, com cooperativas intermediando a contratação dos profissionais.
Em pelo menos três episódios, o auxiliar teria se apresentado como substituto de outro trabalhador durante o período de folga.
Até o momento, seis vítimas foram identificadas pela Polícia Civil. Os episódios relatados integram a investigação sobre as suspeitas de crimes patrimoniais cometidos durante atendimentos de saúde em domicílio.
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