Polícia

Crimes da gangue do “quebra-vidro” preocupam autoridades em período eleitoral

Com reforço no patrulhamento desde abril, Secretaria da Segurança Pública tenta ampliar sensação de segurança no centro  |  Foto: Divulgação

Publicado em 14/06/2026, às 13h58   Foto: Divulgação   Tatiana Ribeiro

O combate às chamadas gangues do “quebra-vidro” ganhou status de prioridade a apenas quatro meses das eleições. A preocupação vai além dos indicadores criminais: autoridades de segurança avaliam que esse tipo de delito tem forte impacto na sensação de insegurança da população, especialmente em áreas de grande circulação da capital paulista.

A prática criminosa consiste em atacar veículos parados em congestionamentos, semáforos ou cruzamentos movimentados. Os criminosos quebram os vidros dos carros e, em poucos segundos, furtam ou roubam celulares, bolsas, mochilas, notebooks e outros objetos de valor. As ações costumam ocorrer de forma rápida e surpreendente, dificultando a reação das vítimas e a identificação dos autores.

SSP intensifica operações

Diante do aumento da preocupação com esse tipo de ocorrência, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) intensificou, desde abril, as operações de fiscalização e patrulhamento em regiões consideradas mais vulneráveis, principalmente no centro da capital. Somente nesta semana, a Polícia Militar realizou duas grandes ações voltadas ao enfrentamento das quadrilhas especializadas nessa modalidade criminosa.

Durante uma dessas operações, realizada na última quarta-feira (10), o secretário-executivo da SSP, coronel Henguel Ricardo Pereira, ressaltou que a estratégia do governo não se limita à redução dos índices criminais. Segundo ele, a meta é também fazer com que moradores, trabalhadores e comerciantes percebam uma melhora efetiva na segurança do dia a dia.

“Não adianta muitas vezes só ter redução de números. É importante que as pessoas tenham realmente a percepção de segurança, tranquilidade para poder trabalhar aqui no centro, para poder viver em paz aqui em São Paulo. Então essa é uma operação recorrente”, afirmou.

Dados da Polícia Militar mostram que, entre janeiro e maio de 2026, a Operação Impacto Quebra-Vidro resultou na prisão de 1.480 pessoas em flagrante. No mesmo período, houve uma redução significativa nos registros relacionados à modalidade. Enquanto janeiro contabilizou 208 ocorrências, maio registrou 121 casos, o que representa uma queda de aproximadamente 42%.

Desafio permanece

Apesar dos resultados apresentados pelas autoridades, o desafio permanece. Grande parte das quadrilhas atua em locais e horários variados, muitas vezes longe da presença ostensiva da polícia. Além disso, a natureza rápida dos ataques dificulta a prevenção e a prisão dos envolvidos.

Nas ruas da cidade, os vestígios desses crimes continuam visíveis. Em diversos cruzamentos do centro expandido de São Paulo, é comum encontrar montes de cacos de vidro espalhados pelo chão, marcas deixadas após os ataques. Para as vítimas, os prejuízos vão além das perdas materiais, incluindo traumas psicológicos e o aumento da sensação de vulnerabilidade ao circular pela cidade.

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