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Empresário conhecido como "ex-camelô" é acusado de estelionato

Maurice Chang Neto foi acusado de estelionato por advogados contratados por suas empresas. Segundo a acusação, eles trabalhavam, mas não recebiam.  |  Foto: Redes sociais/Reprodução Metrópoles

Publicado em 09/06/2026, às 19h30   Foto: Redes sociais/Reprodução Metrópoles   Gabriela Pessanha

O empresário Maurice Chang Neto, conhecido como "ex-camelô", está sendo acusado de estelionato por advogados e escritórios de advocacia que prestaram serviços para empresas ligadas a ele. Segundo os relatos, os profissionais eram contratados, recebiam diversas demandas jurídicas e, após executarem o trabalho, não recebiam os honorários acordados.

De acordo com uma das vítimas, o empresário utilizava uma estratégia para transmitir credibilidade durante as negociações.

Ao BNews, um dos advogados afirmou que Chang dizia ser proprietário de diversas empresas e promovia reuniões com a presença de pessoas apresentadas como CEOs, CFOs e colaboradores de suas companhias, criando uma estrutura empresarial que reforçava a imagem de solidez dos negócios.

"Aceitei o emprego e, no outro dia, ele já começou a passar demandas. Ele tem uma metodologia que te envolve; ele não possibilita que você consiga pensar muito", relatou um dos profissionais que afirma ter sido lesado.

Segundo apuração do Metrópoles, ao menos sete profissionais alegam ter sido vítimas do mesmo esquema.

Um dos escritórios envolvidos afirma ter acumulado prejuízo de aproximadamente R$ 1 milhão em honorários advocatícios. Ao BNews, um dos representantes explicou que, após toda a atuação jurídica e a resolução das demandas apresentadas pelo empresário, Chang simplesmente deixou de responder aos contatos e desapareceu, sem realizar qualquer pagamento pelos serviços prestados.

O caso foi denunciado à Polícia Civil da Bahia, com pedido de bloqueio de bens e prisão preventiva do empresário. A 16ª Delegacia Territorial (DT/Pituba), em Salvador, informou que instaurou inquérito para apurar as denúncias.

Além disso, em 27 de maio, Maurice Chang Neto foi condenado à revelia em uma ação trabalhista que pede indenização de R$ 105 mil.

Investigações em São Paulo

Justiça já condenou Chang à revelia por uma das acusações - Foto: Tingey Injury Law Firm/Reprodução Unsplash

As denúncias também chegaram à Polícia Civil de São Paulo. Segundo a corporação, as investigações seguem em andamento e estão sob responsabilidade da Delegacia de Vargem Grande Paulista.

Já a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) informou que não localizou registros relacionados ao caso.

Como funcionava o suposto esquema

Segundo a apuração, Maurice Chang Neto recrutava profissionais por meio de plataformas de emprego, oferecendo salários considerados atrativos e benefícios para conquistar candidatos às vagas.

Com atuação em setores como financeiro, turismo, veículos e saúde, ele apresentava um discurso de expansão empresarial e crescimento acelerado, buscando transmitir confiança aos futuros contratados.

Um dos advogados afirmou que pesquisou o histórico do empresário antes de aceitar a proposta de trabalho e não encontrou inconsistências que levantassem suspeitas.

Após a contratação, porém, os profissionais passavam a receber demandas consideradas urgentes, inclusive durante madrugadas. Segundo os relatos, também eram alvo de cobranças excessivas, ofensas, xingamentos e ameaças de demissão.

Ao final do primeiro mês de trabalho, quando solicitavam o pagamento pelos serviços prestados, o empresário alegava problemas no setor financeiro, instabilidades no sistema bancário ou questões de saúde para justificar os atrasos.

Mesmo sem efetuar os pagamentos, continuava exigindo a execução das atividades normalmente. Quando as justificativas deixavam de convencer os profissionais, ele simplesmente interrompia o contato e deixava de responder às mensagens.

Um dos escritórios envolvidos acredita que as contratações eram realizadas sem qualquer intenção de quitar os honorários advocatícios, configurando um esquema previamente planejado.

Além dos serviços prestados às empresas ligadas a Chang, os advogados também afirmam ter atuado em demandas particulares do empresário.

O BNews procurou a defesa de Maurice Chang Neto para comentar as acusações, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.

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