Polícia
Publicado em 08/06/2026, às 14h10 Foto: Reprodução/Facebook Amanda Ambrozio
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o ex-professor da Universidade de São Paulo (USP) Alysson Leandro Barbate Mascaro pelos crimes de assédio sexual, importunação sexual, estupro e estupro de vulnerável.
A denúncia descreve sete episódios distintos envolvendo ex-alunos e integrantes de um grupo de pesquisa vinculado à Faculdade de Direito da instituição.
O documento foi protocolado na última quarta-feira (3) e agora aguarda análise da Justiça, que decidirá se aceita ou não a acusação.
A defesa do ex-professor informou que não havia sido oficialmente comunicada sobre o processo.
Segundo o Ministério Público, os fatos teriam ocorrido entre 2020 e 2024 e envolveriam vítimas do sexo masculino.
De acordo com o G1, Mascaro se aproveitava de sua posição de prestígio acadêmico e influência profissional para se aproximar de estudantes interessados em orientação acadêmica, pesquisa e oportunidades na carreira universitária.
De acordo com a denúncia, o professor mantinha uma dinâmica que chamava de “mestre e pupilo”.
Sob o argumento de oferecer acompanhamento acadêmico, ele convidava alunos para encontros em seu escritório ou residência, onde, segundo os relatos, iniciava contatos físicos inadequados e constrangedores.
Em um dos casos descritos, uma vítima afirma ter sido submetida a atos sexuais sem consentimento após aceitar hospedagem no apartamento do professor durante uma visita a São Paulo.
O Ministério Público argumenta que o estudante permaneceu sem reação devido ao medo e à desigualdade de poder existente na relação.
"Quando recebi a notícia através dos jornais de outras acusações contra o assediador, tive a infeliz surpresa de que ele havia, além de mim, abusado de muitas outras pessoas, que seu modus operandi era praticamente idêntico", afirmou uma das vítimas.
A USP oficializou a demissão de Mascaro em fevereiro deste ano, após a conclusão de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
A investigação interna teve início em dezembro de 2024, depois que dez alunos e ex-alunos denunciaram episódios de assédio ocorridos entre 2006 e 2024.
Durante a sindicância, foram ouvidos estudantes, testemunhas e o próprio docente, que negou as acusações. Ao final do procedimento, a universidade concluiu pela expulsão do professor.
Além da condenação pelos crimes apontados, o MP solicitou medidas protetivas para uma das vítimas e o pagamento de indenizações, com valores que variam entre 30 e 60 salários mínimos.
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