Polícia
Publicado em 25/02/2026, às 13h53 Foto: Maria Eduarda Camargo / BNews Nathalia Quiereguini
Frequentadores do Parque Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, relatam mudança de comportamento diante da percepção de ocorrências criminais recentes no local.
Visitantes afirmam ao BNews São Paulo que passaram a evitar áreas isoladas, reduzir o tempo de permanência em trechos mais arborizados e priorizar regiões com maior circulação de pessoas.
A carioca Carla, de 40 anos, costuma incluir o parque no roteiro sempre que visita a capital paulista. Segundo ela, a experiência deixou de ser apenas recreativa e passou a exigir atenção constante.
“Sempre achei muito arborizado e agradável. Nas primeiras duas vezes vim tranquila, mas depois que pesquisei percebi uma incidência grande de assaltos e agressão a mulheres.”
Ela afirma ao BNews que chegou a deixar de frequentar o espaço em uma viagem recente após recomendações de conhecidos. “Me orientaram a não ficar em áreas muito reservadas, que é justamente onde eu gosto de ficar, e permanecer perto de onde tem mais circulação. Hoje eu vim com uma certa tensão.”
O crescimento das ocorrências policiais no Parque Ibirapuera motivou mudanças de comportamento entre usuários e levantou questionamentos sobre o policiamento no local.
Registros recentes incluem furtos, roubos, agressões e arrombamentos de estabelecimentos comerciais instalados dentro do parque, em diferentes horários de funcionamento, afetando também comerciantes que atuam no espaço.
As ocorrências passaram a ser apuradas pelas autoridades responsáveis, que analisam episódios distribuídos por áreas distintas do espaço público.
Parte dos casos envolve subtração de celulares e pertences pessoais mediante abordagem direta, enquanto outros referem-se a invasões de quiosques e dano ao patrimônio.
Procurada, a concessionária Urbia informou, em nota, que a segurança pública não é atribuição contratual da empresa.
“O policiamento ostensivo, a repressão a crimes, a investigação e a responsabilização de infratores são atribuições exclusivas das forças policiais e da Justiça.”
A empresa afirma não possuir poder de polícia para abordar, deter ou investigar suspeitos. “A concessionária não pode deter, investigar ou punir indivíduos. Sua responsabilidade limita-se à segurança patrimonial e ao apoio às autoridades.”
Segundo a concessionária, em caso de ocorrências as equipes prestam acolhimento inicial às vítimas e acionam as autoridades competentes.
“Já solicitamos formalmente reforço de policiamento diversas vezes ao poder público, sem resposta efetiva até o momento.”
O parque conta atualmente com 283 câmeras de monitoramento, centro de controle operacional 24 horas, postos fixos de vigilância e rondas com veículos, motocicletas e bicicletas. As imagens são disponibilizadas às autoridades sempre que requisitadas.
Apesar dos relatos, o movimento no parque continua intenso. A principal alteração observada é comportamental: frequentadores mantêm a presença, mas evitam áreas vazias e preferem permanecer próximos a locais mais movimentados ao longo do dia.
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