Polícia
Publicado em 26/05/2026, às 12h37 Foto: Reprodução/Governo do Rio de Janeiro Amanda Ambrozio
A oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (26), colocou o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), no centro de um suposto esquema de corrupção bilionário.
Segundo o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a relação de Castro com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, "não se limitou a contatos institucionais" por meio de investimentos do Rioprevidência, "mas envolveu vínculo pessoal".
Os mandados de busca e apreensão investigam investimentos que somam R$ 3,691 bilhões da previdência estadual na instituição financeira.
De acordo com o magistrado, a proximidade entre o político e o banqueiro apresenta "indícios concretos da ocorrência de tratativas ilícitas que viabilizaram a captação" deste montante expressivo.
Um dos pontos mais sensíveis da investigação é a persistência dos investimentos mesmo após contestações de órgãos fiscalizadores.
"Os indícios apontam, ainda, para a continuidade das aplicações mesmo diante de alertas formais de órgãos de controle e pareceres técnicos desfavoráveis, viabilizando-se a manutenção do fluxo de recursos públicos para operações classificadas como temerárias e desprovidas de justificativa técnica", detalhou Mendonça em seu despacho.
Segundo o SBT News, a PF aponta um "sincronismo entre encontros mantidos entre ambos e os aportes financeiros subsequentes".
Registros indicam reuniões frequentes em ambientes privados, no exterior e em eventos custeados ou organizados por Vorcaro, o que reforçaria a tese de que a liberação de recursos dependia diretamente de um alinhamento político.
A investigação sugere que a influência de Vorcaro permitiu a nomeação estratégica de dirigentes do Rioprevidência em cargos-chave, como a Presidência e diretorias de investimento.
A PF afirma também que esse controle teria garantido que as decisões fossem tomadas em favor dos interesses do Banco Master.
Para o ministro André Mendonça, as provas colhidas até o momento são contundentes quanto à gravidade da estrutura criminosa.
"Os indícios acostados neste procedimento investigativo demonstram que há elevada probabilidade de os alvos do pedido de busca e apreensão fazerem parte de um amplo, estável e bem estruturado esquema de corrupção e de lavagem de dinheiro criado para o desvio de uma cifra bilionária do Rioprevidência", concluiu.
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