Polícia
Publicado em 31/08/2026, às 15h20 Foto: Divulgação/SECOM Marina do Val
A cena tem se tornado rotina nas ruas e avenidas de São Paulo: o passageiro embarca no táxi, puxa o smartphone do bolso para responder a um e-mail ou olhar as redes sociais e, imediatamente, escuta um apelo quase desesperado vindo do banco da frente pedindo para guardar o aparelho.
O que antes era apenas uma recomendação informal virou uma regra de sobrevivência para os taxistas paulistanos.
O avanço das gangues do quebra-vidro e a atuação de criminosos que atacam veículos parados no trânsito transformaram o hábito de usar o aparelho dentro do carro em uma constante armadilha.
Para os motoristas de táxi, a investida dos ladrões não significa apenas a perda do bem do passageiro ou o susto da abordagem.
O prejuízo financeiro e operacional cai diretamente sobre quem está ao volante. Embora a maioria dos seguros cubra a troca dos vidros estilhaçados, o prazo para reposição da peça pode chegar a sete dias úteis.
Para não perder uma semana inteira de trabalho, muitos profissionais acabam pagando cerca de R$ 500 do próprio bolso para realizar o conserto imediato.
Somando o custo do reparo aos dias parados sem faturar, o prejuízo total de um único assalto pode ultrapassar facilmente a marca de R$ 1 mil.
Além disso, os relatos mostram que as abordagens são extremamente rápidas, impedindo qualquer reação mesmo quando o motorista tenta alertar o cliente a tempo.
Muitas pessoas aproveitam o tempo de deslocamento no trânsito de São Paulo para adiantar tarefas do trabalho ou conversar com familiares.
Por esse motivo, a resistência dos clientes em guardar os aparelhos é frequente, o que força os taxistas a criar situações de desconforto dentro do próprio veículo para evitar um mal maior.
Os motoristas relatam que os criminosos atuam em diversas regiões da cidade e se aproveitam de momentos de distração, surgindo muitas vezes disfarçados de vendedores ambulantes ou limpadores de para-brisa em cruzamentos e semáforos antes de desferirem o golpe na janela traseira.
O medo constante dos taxistas encontra respaldo nos índices de criminalidade da cidade.
De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a capital paulista ocupa a terceira posição entre as cidades com maior taxa de roubo e furto de celular no Brasil, registrando cerca de 1.390 ocorrências para cada 100 mil habitantes, um índice quase quatro vezes superior à média nacional.
Em nota para o Metrópoles, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que tem intensificado o policiamento ostensivo e as ações de inteligência voltadas para combater a modalidade do quebra-vidro, destacando que os roubos de celulares na capital registraram uma queda de 14,8% no primeiro semestre e que milhares de aparelhos vêm sendo recuperados por meio de operações policiais.
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