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“Monstro da ZL” obrigava menores a posar com placas escritas com sangue

"Monstro da ZL" é investigado por crimes contra crianças e adolescentes; celulares apreendidos continham material nazista, segundo a Polícia Civil  |  Foto: Reprodução

Publicado em 17/09/2026, às 11h15   Foto: Reprodução   Amanda Ambrozio

Nicolas Archanjo Silva, conhecido como “Monstro da ZL”, é suspeito de obrigar crianças e adolescentes vítimas de automutilação a tirar fotos segurando placas com seu apelido escrito com sangue.

Segundo a Polícia Civil, a prática seria uma forma de marcar as vítimas como “dominadas” por ele.

Silva está preso desde terça-feira (15), no 67º Distrito Policial (DP), no Jardim Robru, Zona Leste de São Paulo. Ele foi capturado no Itaim Paulista durante uma investigação sobre o estupro de uma adolescente de 16 anos, ocorrido em 17 de agosto.

De acordo com o portal Metrópoles, o suspeito teria atraído a jovem para sua casa, oferecido bebidas alcoólicas e cometido o estupro.

Ele também teria gravado o crime e compartilhado as imagens em grupos de redes sociais. Em mensagens, ameaçou matar a adolescente e expô-la aos familiares caso fosse denunciado.

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Polícia monitorava suspeito havia seis meses

A delegada Lisandréa Salvariego Colabuono, coordenadora do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), afirmou que Silva era monitorado havia seis meses.

Além da adolescente de 16 anos, os investigadores identificaram pelo menos duas vítimas que moravam fora do estado de São Paulo.

Segundo a delegada, o suspeito induzia adolescentes à automutilação e também fazia com que irmãos mais novos de algumas vítimas segurassem placas com seu apelido.

“Ele [Monstro da ZL] induzia adolescentes à automutilação, além de fazer com que eventuais irmãos mais novos dessas vítimas segurassem placas com o nome dele”, explicou Colabuono.

As investigações também apuram a participação de Silva em uma rede de compartilhamento ilegal de conteúdos. Segundo o Noad, ele era líder de servidores no Discord, plataforma que permite comunicação por texto, voz e vídeo.

Celulares apreendidos tinham conteúdos nazistas

A Polícia Civil investiga Silva por diferentes crimes que teriam como vítimas crianças e adolescentes, incluindo estupro de vulnerável, inclusive por meio digital, zoosadismo e indução à automutilação.

“São crimes graves. Foram apreendidos celulares e que estão sob análise. Todos têm conteúdos nazistas”, afirmou a delegada, acrescentando que, na avaliação dela, a prisão temporária deve ser convertida em preventiva.

O material apreendido está sendo analisado pelos investigadores para aprofundar a apuração e identificar possíveis outras vítimas e envolvidos.

ANPD determinou suspensão de lives no Discord

Em agosto, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão da função de transmissões ao vivo do Discord no Brasil. A medida foi fundamentada em preocupações sobre a proteção de crianças e adolescentes na plataforma.

Na nota técnica que embasou a decisão, a área técnica da agência apontou falhas no sistema automatizado de avaliação de riscos da empresa. O documento cita o caso de uma adolescente de 13 anos e afirma que uma situação grave recebeu uma classificação de risco considerada baixa.

A ANPD também questionou a dependência de denúncias feitas pelos próprios usuários para identificar violações. Segundo a agência, esse modelo pressupõe que alguém reconheça o risco, consiga denunciá-lo e confie que a plataforma agirá a tempo.

Outro ponto levantado foi a insuficiência da supervisão parental para lidar com riscos específicos das transmissões ao vivo. A área técnica também manifestou preocupação com a identificação de ameaças em comunicações protegidas por criptografia.

A suspensão da funcionalidade segue em vigor no país.

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