Polícia

MP pede tornozeleira eletrônica para Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians; entenda

Investigação envolvendo Andrés Sanchez aponta uso de cartão corporativo para despesas pessoais e possível violação de restrições judiciais  |  Foto: Divulgação/Câmara Municipal de Itapevi

Publicado em 26/02/2026, às 17h16   Foto: Divulgação/Câmara Municipal de Itapevi   Marcela Guimarães

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou à Justiça que Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, passe a utilizar tornozeleira eletrônica por suposto descumprimento de medidas cautelares impostas anteriormente.

Ele foi denunciado em outubro sob acusação de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsidade de documento tributário.

Além do monitoramento eletrônico, a promotoria requereu a entrega do passaporte espanhol do dirigente e a quebra do registro de ligações telefônicas feitas entre 30 de dezembro de 2025 e 25 de fevereiro de 2026.

Suspeita de violação das restrições judiciais

Após o oferecimento da denúncia, a Justiça determinou que Andrés não mantivesse contato com integrantes da atual gestão do Corinthians.

No entanto, segundo informações apontadas pelo portal Metrópoles, há indícios de que ele teria se encontrado com um conselheiro do clube e telefonado para um membro da diretoria.

Também consta na representação que o ex-presidente esteve no Parque São Jorge, sede social do Corinthians, em dezembro do ano passado, o que poderia configurar descumprimento das determinações judiciais.

Andrés Sanchez (Foto: Marco Ambrosio/Flickr)

Acusações envolvem uso de cartão corporativo

De acordo com a denúncia, ele teria utilizado o cartão corporativo do clube para despesas pessoais e omitido a natureza privada das compras. O prejuízo estimado ao Corinthians é de aproximadamente R$ 480 mil.

A promotoria analisou faturas entre agosto de 2018 e maio de 2025 e identificou diversas transações consideradas particulares.

Entre elas estão aquisições de relógios na joalheria HStern, roupas da marca Brooksfield, gastos com atendimentos médicos sem identificação do paciente e abastecimentos em postos de combustíveis.

Em alguns casos, segundo o Ministério Público, notas fiscais foram emitidas em nome do próprio ex-presidente, o que caracterizaria falsidade documental.

Papel do ex-gerente financeiro

A denúncia também cita Roberto Gavioli, ex-gerente financeiro do Corinthians, apontado como omisso no controle das despesas durante o período investigado.

Para o promotor Cássio Conserino, cabia ao então responsável pelas finanças fiscalizar os gastos realizados com o cartão corporativo. “Mas nada disso foi feito”, afirmou ele.

Em depoimento, Gavioli declarou que não tinha atribuição direta de fiscalização e disse que não percebeu eventuais irregularidades, argumentando que o clube mexe com valores bilionários anualmente.

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