Polícia
Publicado em 15/07/2026, às 23h00 Foto: Reprodução/Instagram Andrezza Souza
O escritório Nelson Wilians Advogados (NWADV) divulgou uma nota oficial nesta quarta-feira (15) após ser alvo de mandados de busca e apreensão durante a Operação Distrato, investigação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), em conjunto com a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) e outros órgãos, que apura um suposto esquema de comercialização irregular de créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Na manifestação, o escritório afirma que manteve, em determinado período, uma parceria contratual com o escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, mas sustenta que a relação foi encerrada em 2024 e que não existia vínculo societário, de controle ou integração operacional entre as duas bancas.
A nota foi divulgada poucas horas após o cumprimento dos mandados de busca na sede da NWADV e na residência de seu fundador, Nelson Wilians.
"Essa parceria foi iniciada e encerrada no ano 2024 com o escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, inexistindo entre ambas qualquer vínculo societário, de controle, subordinação ou integração operacional", informou o escritório.
Segundo a banca, os contratos celebrados definiam de forma clara as atribuições de cada participante da parceria, permanecendo cada sociedade responsável apenas pelas atividades que assumiu contratualmente.
Um dos principais pontos da nota é a negativa de participação direta na condução das operações investigadas.
A NWADV afirma que os contratos assinados atribuíam ao escritório parceiro a responsabilidade pela execução técnica e operacional das atividades relacionadas às transferências de saldo credor de ICMS, incluindo todos os procedimentos perante a Secretaria da Fazenda.
"Nos termos desses instrumentos, competia ao escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica a condução técnica e operacional das atividades relacionadas às operações, incluindo os procedimentos necessários perante a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo."
Ainda segundo a nota, os contratos estabeleciam que qualquer operação dependeria da autorização dos órgãos competentes e que, caso houvesse impedimento por parte do Fisco, o negócio seria automaticamente desfeito, sem prejuízo às partes envolvidas.
O escritório também afirma que, durante a vigência da parceria, passou a solicitar esclarecimentos e documentos adicionais ao parceiro responsável pela execução das operações.
"Diante da omissão no fornecimento das informações requeridas e após a devida avaliação interna, a NWADV deliberou pela descontinuidade da parceria, adotando as medidas que entendeu cabíveis."
A banca acrescenta que todos os clientes envolvidos foram comunicados sobre a rescisão da parceria, conforme previsto contratualmente.
Outro trecho da nota trata diretamente da operação realizada nesta quarta-feira.
Segundo a NWADV, as equipes responsáveis pelas buscas foram recebidas normalmente e toda a documentação solicitada será apresentada às autoridades sempre que requisitada.
"A NWADV recebeu as autoridades e atendeu às solicitações formuladas, permanecendo à disposição para os esclarecimentos que se fizerem necessários, na forma da lei."
Ao final do comunicado, o escritório reafirma seu compromisso com a legalidade, a ética e a transparência.
"O escritório segue operando normalmente, com plena continuidade de suas atividades e da prestação de seus serviços."
A Operação Distrato investiga um suposto esquema de comercialização de créditos tributários de ICMS que, segundo o Ministério Público e a Secretaria da Fazenda, teria movimentado mais de R$ 3,8 bilhões em créditos considerados irregulares.
De acordo com a investigação, consultorias, escritórios de advocacia e empresas intermediárias ofereciam às empresas clientes a possibilidade de reduzir o pagamento do ICMS por meio da aquisição de créditos tributários apresentados como válidos e regularmente autorizados pelo Fisco.
Segundo os investigadores, após aderirem ao modelo, as empresas deixavam de recolher integralmente o imposto devido ao Estado e remuneravam os intermediários por meio de honorários calculados sobre os valores dos créditos utilizados.
A suspeita é de que esses créditos não possuíam respaldo legal ou autorização válida, resultando em prejuízo aos cofres públicos.
Conforme informações divulgadas pelas autoridades, a ofensiva fiscal identificou um esquema considerado de grande porte.
A Secretaria da Fazenda instaurou 874 Ordens de Serviço Fiscal para apurar quase 10 mil lançamentos tributários suspeitos. Até o momento, foram identificadas mais de 850 empresas supostamente envolvidas nas operações e lavrados centenas de autos de infração que ultrapassam R$ 3,8 bilhões em créditos tributários questionados.
Segundo a investigação, as operações contavam com uma estrutura formada por escritórios de advocacia, consultorias e empresas responsáveis por captar clientes, elaborar contratos, pareceres jurídicos e orientar a utilização dos créditos tributários posteriormente lançados na escrituração fiscal das empresas.
A força-tarefa também cumpriu 38 mandados de busca e apreensão em cidades dos estados de São Paulo e Paraná.
Entre os alvos da Operação Distrato está o advogado Nelson Wilians, fundador do NWADV e responsável por um dos maiores escritórios de advocacia da América Latina.
Também foi alvo de mandados a advogada Mayra de Paula, do escritório De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, apontada pelos investigadores como integrante de um dos núcleos investigados na operação.
Segundo o Ministério Público, o objetivo da investigação é apurar a eventual participação dos envolvidos na estruturação e comercialização dos créditos tributários considerados irregulares e responsabilizar os autores, caso as suspeitas sejam confirmadas.
Até o momento, não há condenação judicial relacionada ao caso. As investigações continuam e a nota divulgada pela NWADV representa o posicionamento oficial do escritório diante das apurações conduzidas pelas autoridades.
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