Polícia

Meninos de até 20 anos lideram grupos que incentivam automutilação na internet

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Levantamento da Polícia Civil de São Paulo mostra que a maioria dos investigados é adolescente; meninas entre 6 e 14 anos são as principais vítimas  |   BNews SP - Divulgação Foto: Magnific/tariktk
Andrezza Souza

por Andrezza Souza

Publicado em 15/07/2026, às 19h20



A maior parte dos responsáveis por comunidades virtuais que incentivam automutilação, suicídio e outros crimes contra crianças e adolescentes é formada por jovens entre 12 e 20 anos. O perfil foi identificado pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo, durante investigações sobre crimes praticados pela internet.

Segundo o levantamento, cerca de 90% dos investigados pelo núcleo são adolescentes. Do outro lado, as principais vítimas são meninas entre 6 e 14 anos, frequentemente aliciadas por meio de jogos online e aplicativos de mensagens.

Os dados foram reunidos durante uma investigação que levou à identificação, na França, de um adolescente brasileiro de 16 anos suspeito de integrar uma comunidade virtual que promovia automutilação, suicídio e ataques contra escolas e creches.

Como acontece o aliciamento

Em entrevista ao Metrópoles, a delegada Lisandréa Salvariego Colabuono, coordenadora do Noad, explicou que muitos adolescentes acabam ingressando nesses grupos em busca de aceitação e pertencimento.

Segundo ela, as comunidades oferecem acolhimento inicial e criam um ambiente de validação, antes de incentivar comportamentos criminosos.

"Eles encontram pertencimento online. São acolhidos e recebem um discurso de validação. Infelizmente, esse reconhecimento acontece da pior forma possível, que é praticando crimes", afirmou a delegada ao Metrópoles.

Em relação às vítimas, a estratégia também costuma seguir um padrão. A aproximação geralmente começa em plataformas de jogos com chat ou em redes sociais, onde os criminosos conquistam a confiança de crianças e adolescentes antes de migrar a conversa para outros aplicativos.

Somente após criar esse vínculo começam os pedidos de fotos, vídeos íntimos ou práticas de automutilação.

"A violência não começa pela violência. Ela começa pelo acolhimento", disse Lisandréa ao Metrópoles.

Ação rápida para interromper os crimes

Foto: Pexels/Bruno Brandao
Foto: Pexels/Bruno Brandao

Quando identifica que uma criança ou adolescente está em situação de risco, especialmente durante transmissões ao vivo, o Núcleo de Observação e Análise Digital atua para interromper imediatamente a violência.

Segundo a coordenadora da unidade, policiais entram em contato com os familiares enquanto equipes são enviadas ao endereço da vítima. Dependendo da situação, também podem ser acionados policiais militares e equipes de resgate para prestar atendimento.

Após o resgate, crianças, adolescentes e familiares recebem acompanhamento psicológico por meio de uma parceria entre a Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Especialistas reforçam atenção das famílias

As autoridades orientam pais e responsáveis a acompanharem a rotina digital de crianças e adolescentes, principalmente em jogos online, redes sociais e aplicativos de mensagens.

Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, pedidos de sigilo sobre conversas na internet e alterações emocionais podem indicar que o jovem está sendo alvo de aliciamento virtual.

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), transtornos como depressão, esquizofrenia e o uso de drogas estão entre os fatores que podem aumentar o risco de comportamento suicida, mas a maioria dos casos pode ser prevenida com diagnóstico precoce, tratamento adequado e apoio familiar.

Em casos de sofrimento emocional, pensamentos de automutilação ou risco de suicídio, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso, 24 horas por dia. O atendimento é realizado por voluntários por telefone, pelo número 188, além de chat, e-mail e outros canais disponíveis no site oficial da instituição. O serviço é voltado a qualquer pessoa que precise de acolhimento ou queira conversar.

Classificação Indicativa: Livre

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