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Entenda o que são as "contas-bolsão", utilizadas na lavagem de dinheiro da Faria Lima

Uma das estratégias para a lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio acontecia por meio das chamadas "contas-bolsão".  |  Os recursos bilionários têm conexão direta com facções criminosas, como o PCC. - Foto: Unsplash

Publicado em 28/08/2025, às 13h51   Os recursos bilionários têm conexão direta com facções criminosas, como o PCC. - Foto: Unsplash   Camila Lutfi

Uma operação da Polícia Federal, em parceria com a Receita Federal, deflagou nesta quinta-feira (28) esquemas complexos de lavagem de dinheiro, que envolvem recursos bilionários e conexão direta com facções criminosas, como o PCC

Os mandados estão sendo cumpridos hoje na Avenida Faria Lima, um dos principais polos comerciais do país, localizado em São Paulo. Uma das estratégias usadas pelos criminosos eram as "contas-bolsão".

“A operação mira diretamente a gestão fraudulenta de fundos e a ocultação de patrimônio de origem ilícita,” afirmou a PF para a CNN.

Estrutura do esquema investigado

Segundo as autoridades, a quadrilha operava por meio de camadas complexas de empresas e fundos de investimento, dificultando a identificação dos beneficiários finais. A teia financeira permitia ocultar a origem dos recursos e proteger o patrimônio de investigação judicial.

Entre as práticas utilizadas estavam transações fictícias de compra e venda de ativos, como imóveis e títulos, entre empresas do mesmo grupo, sem finalidade econômica legítima. O método visava criar a aparência de legalidade sobre movimentações fraudulentas.

Vale lembrar que a Operação Quasar não possui ligação com outra ação deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) nesta quinta-feira.

"Conta-bolsão" como lavagem de dinheiro

De acordo com informações do Metrópoles, uma das estratégias para a lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio seria por meio das chamadas "conta-bolsão".

Essa ferramenta dos criminosos é uma conta bancária de pessoa jurídica, aberta por uma fintech — ​empresas do mercado financeiro de vários segmentos que investem em tecnologias inovadoras.

A conta-bolsão funciona como um “reservatório” para a movimentação de dinheiro ilícito, sem informar o nome dos clientes envolvidos o que, consequentemente, deixam-os mais difíceis de rastrear. 

As autoridades revelraram que essas empresas utilizavam as contas em bancos comerciais para esconder o caminho do dinheiro. Além disso, por serem empresas com modelo inovador, os valores altos das transferências não chamariam atenção.

Ou seja, a fintech deposita em apenas uma conta o dinheiro de diversos clientes e distribui o valor em outras contas do tipo, em empresas que não operam efetivamente.

Vale lembrar que a conta-bolsão também protege as finanças dos criminosos de eventuais bloqueios judiciais e quebras de sigilo, pois somente a fintech sabe quem são os "clientes" que devem receber os valores.

Mandados e bloqueios financeiros

A Justiça Federal autorizou 12 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto. Também foi determinado o bloqueio de bens e fundos de investimento, no valor aproximado de R$ 1,2 bilhão, referentes a autuações fiscais já realizadas.

Além disso, houve o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema, visando facilitar o rastreamento dos recursos ilícitos e a responsabilização criminal dos envolvidos.

“A operação demonstra a atuação coordenada do Estado para enfrentar crimes complexos e proteger a economia nacional,” ressaltou a PF.

Os ministros da Justiça, Ricardo Lewandowski, da Fazenda, Fernando Haddad, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, realizarão uma coletiva de imprensa na manhã de hoje para detalhar os resultados e próximos passos da operação.

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