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Polícia

Pai de santo é preso na Zona Sul acusado de assédio sexual contra homens em rituais

Templo comandado pelo pai de santo fica no bairro Jardim Ipê e possui filiais em outras cidades e até no Uruguai  |  Reprodução/Redes Sociais

Publicado em 06/11/2026, às 08h15   Reprodução/Redes Sociais   Bernardo Rego

A Polícia Civil prendeu, nesta quinta-feira (5), no Capão Redondo, Zona Sul de São Paulo, um pai de santo de 64 anos suspeito de cometer assédio sexual contra frequentadores de seu terreiro. Ailton Ribeiro da Silva, líder do Templo Espírita de Umbanda Caboclo Tatuy de Oxóssi, é investigado por abusar de diversas vítimas, incluindo menores de idade, sob o pretexto de realizar trabalhos espirituais.

De acordo com as denúncias registradas no último mês em várias delegacias da capital, o sacerdote aproveitava os momentos de atendimento individual para tocar nas partes íntimas dos "filhos de santo". Ele justificava os atos afirmando que estava incorporado por uma entidade e que as investidas faziam parte do ritual religioso. O templo comandado pelo investigado fica no bairro Jardim Ipê e possui filiais em outras cidades e até no Uruguai.

Entre as vítimas identificadas estão um homem e seus dois filhos adolescentes, atualmente com 15 e 16 anos. O pai, que registrou boletim de ocorrência na 6ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santo Amaro no dia 13 de outubro, relatou ter sido levado a um quarto reservado onde sofreu toques abusivos por cima da roupa. O silêncio, motivado pelos acordos de confidencialidade da religião e pelo medo de retaliações espirituais, atrasou as denúncias. O filho mais velho só revelou os abusos à mãe meses após abandonar a religião e se mudar para Pernambuco.

“Como existe um acordo de confidencialidade sobre a relação das pessoas dentro dos rituais com as entidades espíritas, os meninos não relataram isso de cara. Quando fiquei sabendo pela mãe do meu filho mais velho, questionei o mais novo que também frequentava o centro e ele confirmou que também sofria esse tipo de coisa”, contou o pai de uma das vítimas em entrevista ao G1.

“Me sinto enganado. O Ailton usou da minha fé para cometer abusos contra mim e os meus filhos. É uma situação que a gente não consegue nem descrever. Porque a gente acredita na religião e na boa fé dos sacerdotes. Mas quando eles usam sua influência e seu poder espiritual para fazer esse tipo de coisa, é nojento, é hediondo, é sujo e rasteiro”, acrescentou o pai.

O filho caçula confirmou que também era alvo de assédios frequentes. Em um dos episódios, ocorrido em uma filial do terreiro em Itapecerica da Serra, o adolescente recusou um convite de Ailton para dormir na mesma cama. O jovem relatou ter chegado a levar uma faca escondida no bolso para o centro religioso a fim de se proteger fisicamente durante as sessões.

Após vivenciar o crime e descobrir os abusos contra os filhos, o pai passou a dialogar com outros frequentadores da casa e revelou uma rede de assédios sistematicamente silenciados, que fez com que muitas vítimas abandonassem o templo ao longo dos anos. Segundo as testemunhas, ao ser confrontado ao fim dos rituais, o pai de santo alegava não ter consciência das ações e dizia não saber de nada do que havia ocorrido durante as supostas incorporações.

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TagsSão PauloZona SulpresoUmbandaAssédio sexualPai de santoJardim ipê

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