Polícia
Publicado em 27/03/2026, às 12h45 Foto: Reprodução/TV Globo. Nathalia Quiereguini
A Polícia Militar de São Paulo abriu um processo administrativo que pode resultar na expulsão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, após a morte da esposa dele, a soldado Gisele Alves Santana, ocorrida em 18 de fevereiro.
A medida acontece paralelamente às investigações criminais conduzidas pela Polícia Civil e reforça a independência da esfera administrativa em relação ao Judiciário.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), mesmo sem uma condenação definitiva, o tenente-coronel pode ter o posto e a patente retirados, caso a comissão que julga o processo identifique conduta incompatível com os valores da corporação.
O procedimento respeita o direito à ampla defesa e ao contraditório, mas o tempo até uma decisão final pode ser prolongado.
O caso ganhou atenção especial após perícia detalhar que, minutos depois da morte de Gisele, Geraldo desbloqueou o celular da esposa, que havia sido atingida por um disparo na cabeça, de acordo com a CNN Brasil.
Registros apontam múltiplos acessos ao aparelho ainda na manhã do dia do crime, inclusive tentativas de chamadas ao serviço de emergência que demoraram a ser efetivadas.
Técnicos identificaram também indícios de exclusão de mensagens e possíveis tentativas de manipulação de informações digitais.
As mensagens recuperadas mostram que a soldado discutia com o marido sobre uma possível separação, citando inclusive suspeita de traição.
Segundo a polícia, a análise desses dados pode indicar tentativa de fraude processual e reforçar a hipótese de feminicídio, ao sugerir que, além da violência física, houve ações posteriores para alterar provas.
A defesa do tenente-coronel informou que exercerá plenamente o direito de defesa assim que o Conselho de Justificação for instaurado e confia na comprovação da inocência no âmbito administrativo.
Enquanto isso, Geraldo permanece preso preventivamente e com o salário suspenso.
A SSP reafirma o compromisso da corporação com a legalidade, disciplina e preservação de seus valores, destacando que o processo administrativo é independente da esfera penal, podendo levar ao desligamento do oficial dos quadros da instituição.
O caso segue em fase de apuração final, com todas as provas digitais e testemunhais sendo analisadas, e reforça a necessidade de transparência e rigor no tratamento de situações envolvendo membros da própria corporação.
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