Polícia

PM é condenado a mais de 20 anos por matar motorista e balear criança durante briga de trânsito

Segundo a Justiça, o PM agiu por motivo fútil e através de meio que dificultou a defesa da vítima  |  Divulgação/ OAB-SP

Publicado em 14/08/2026, às 15h47   Divulgação/ OAB-SP   Bernardo Rego

Um policial militar, identificado como Kaio Lopes Raimundo, que se envolveu em uma briga de trânsito em julho do ano passado em Mauá, na Grande São Paulo, foi condenado a mais de 20 anos de prisão pela morte de um homem e por balear uma criança de 9 anos. 

Em decisão proferida na última terça-feira (11) em plenário do júri presidido pelo juiz Marco Mattos Sestini, Kaio Lopes com foi condenado pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil e pelo meio que dificultou a defesa da vítima. Ele também foi condenado por homicídio com dolo eventual tentado qualificado pelo motivo fútil, pelo meio que dificultou a defesa da vítima e por ter sido praticado contra menor de 14 anos.

Segundo a sentença, "uma criança visualizou a morte do pai, ficando com sequelas para o resto da vida. Uma mãe também visualizou a morte do filho e nunca mais esquecerá tal cena. Uma criança foi atingida, permanecendo até hoje com o projetil alojado no corpo, podendo gerar consequências em seu desenvolvimento. Importante mencionar que os crimes foram cometidos por policial em momento de folga", disse o juiz Marco Mattos ao acrescentar que não seria essa uma conduta de agente da segurança pública. "O esperado de um policial militar é muito mais cautela e racionalidade em momento de estresse", esclareceu. . 

Diante dos fatos, o policial foi condenado a 21 anos, nove meses e 10 dias em  regime inicial fechado, por incurso no artigo 121, § 2º, incidos II e IV e no artigo 121, §2º, incisos II, IV e IX, combinado com o artigo 18, inciso I, in fine e com o artigo 14, inciso II, na forma do artigo 70, todos do Código Penal. O policial respondeu ao processo preso. 

Relembre o crime

De acordo com o boletim de ocorrência, o PM estava de moto a caminho do trabalho quando se envolveu em uma confusão com o veículo de Clayton Juliano da Silva, que estava com a esposa, a mãe e o sobrinho de 9 anos no carro, trafegando pela Avenida Barão de Mauá, na Grande São Paulo.

Os dois entraram em discussão quando o o policial disparou quatro vezes contra o carro ainda em movimento. O motorista foi atingido com disparos na nuca e morreu no local. Os disparos também atingiram o sobrinho da vítima, que estava sentado no banco de trás do automóvel.

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