Polícia
por Bernardo Rego
Publicado em 14/08/2026, às 14h43
Investigado por participação em um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da concessionária de ônibus Transunião, Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão” foi solto após decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Ele foi preso temporariamente no final de junho durante a Operação Última Parada, que também teve como alvo o vereador Senival Pereira de Moura. A soltura foi determinada pela desembargadora Carla Rahal da 11ª Câmara de Direito Criminal. As informações são do Metrópoles.
De acordo com a desembargadora, não há justificativa legal para manter a prisão temporária de Freitas, que já havia ultrapassado o prazo máximo.
Segundo a Polícia Civil, Cachorrão possui envolvimento direto com o PCC além de ser apontado como operador do esquema que utilizava a estrutura da concessionária Transunião para lavar dinheiro oriundo do tráfico de drogas.
A Operação Última Parada, deflagrada em junho, é fruto de uma investigação iniciada em 2020 após o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-diretor da Transunião, em uma padaria em Lajeado, zona oeste da capital paulista.
De acordo com as investigações, Adauto foi morto a tiros porque integrantes do PCC acreditavam que ele estava desviando valores do esquema em benefício do vereador Senival. A polícia aponta o Cachorrão como responsável pelo assassinato.
Cachorrão é alvo de medidas cautelares relativas ao processo em que ele é acusado pelo homicídio de Adauto. Ele está proibido de manter contato com testemunhas, além de funcionários e dirigentes da Transunião. Também está proibido de se ausentar de São Paulo por mais de oito dias sem aviso prévio.
Em nota, a defesa de Jair Ramos de Freitas disse que a decisão “corrigiu a injustiça, pois não havia elementos para sustentar a prisão temporária e o prazo de 30 dias, uma vez que os crimes investigados de organização criminosa e lavagem de capitais não poderiam, por si só, aumentar o prazo da prisão temporária”.
No início de agosto, o TJSP também concedeu um habeas corpus ao vereador Senival Moura, afastado do PT. Em decisão semelhante à do Cachorrão, Carla Rahal entendeu que o prazo legal da prisão já havia terminado, o que a tornaria ilegal.
Depois da soltura, Senival compareceu à tribuna da Câmara Municipal de São Paulo para se pronunciar sobre os acontecimentos. Em sua fala, o vereador reiterou a própria inocência e afirmou que está sendo vítima de “injustiças”.
“Lamentavelmente, fui jogado aos leões sem cometer absolutamente nada. Eu sou inocente em tudo isso”, afirmou o parlamentar. “Eu acho que quem comete crime tem que pagar por ele. Agora, quem não cometeu crime não tem que pagar por aquilo que não cometeu. A injustiça é muito grande. Sequer eu fui ouvido.”
Segundo a investigação, o petista afastado é suspeito de ser o “dono oculto” da Transunião e principal responsável por instrumentalizar a Transunião para a lavagem de dinheiro em favor de indivíduos ligados ao PCC.
Segundo documentos, Senival era o beneficiário real de, ao menos, 13 ônibus que estavam em nome de terceiros ou da própria Transunião e movimentou mais de R$ 8,7 milhões entre 2019 e 2022, sendo que R$ 2,47 milhões não possuem origem declarada.
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