Polícia
Publicado em 17/03/2026, às 09h25 Foto: Reprodução Marcela Guimarães
A soldada da Polícia Militar Gisele Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no último mês, havia relatado a uma amiga preocupações com o comportamento do marido, o tenente-coronel Geraldo Neto.
Segundo a defesa da família, mensagens enviadas pela policial apontam que ela temia as reações do companheiro.
Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego. Não tenho como controlar o que falam, muito menos o que acham […]”, teria dito a PM.
Em depoimento à polícia, a mãe da vítima afirmou que a filha vivia um relacionamento considerado abusivo e marcado por brigas constantes. De acordo com ela, o oficial teria comportamento controlador e violento.
Segundo o relato, Gisele enfrentava restrições no dia a dia, sendo impedida de usar itens como batom, salto alto e perfume. Além disso, havia fortes cobranças relacionadas a tarefas domésticas.
A mãe também afirmou que, ao mencionar a possibilidade de separação, a policial recebeu do marido uma imagem em que ele aparecia com uma arma apontada para a própria cabeça.
O advogado da família, Miguel Silva, afirmou que há registros anteriores envolvendo o tenente-coronel.
Segundo ele, documentos policiais e decisões judiciais indicariam casos de ameaças contra ex-companheiras, além de denúncias de assédio e perseguição contra PMs mulheres subordinadas ao oficial.
“Quando eu disse que o tenente-coronel é um violador, um assediador, já há muito tempo, eu fiz uma crítica ao comando da Polícia Militar e ao secretário da Segurança. Eu mantenho essa crítica, haja vista que ele deveria ter sido afastado já há muito tempo das suas funções”, disse o advogado ao g1.
A defesa da família sustenta que os elementos apontam para um padrão de comportamento. “É um histórico ameaçador, um histórico perseguidor”, afirmou.
Quase um mês após a morte de Gisele Santana, a defesa do tenente-coronel mantém a versão de que a soldada tirou a própria vida.
Segundo os advogados, o disparo ocorreu dentro do apartamento do casal, na cidade de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. O caso segue sob investigação.
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