Polícia
A morte da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça dentro do apartamento onde morava, em São Paulo, passou a ser investigada como possível feminicídio após decisão da Justiça.
O marido da vítima, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, que estava no imóvel no momento da ocorrência, agora é considerado investigado no caso.
Inicialmente, a ocorrência havia sido registrada como suicídio. A família da policial contestou essa versão e pediu novas apurações, segundo informações do G1.
Após a exumação do corpo, um novo laudo necroscópico apontou lesões no rosto e no pescoço da vítima.
Segundo peritos, os ferimentos indicam a possibilidade de que ela tenha perdido a consciência antes do disparo.
Com base nesses elementos, a Justiça determinou que o caso seja investigado como feminicídio, crime cuja pena pode variar de 20 a 40 anos de prisão.
A morte ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava. O tenente-coronel foi quem acionou os serviços de emergência.
Em uma ligação registrada às 7h57 para a Polícia Militar, ele afirmou que a esposa havia se matado com um tiro na cabeça.
Poucos minutos depois, às 8h05, ele entrou em contato com o Corpo de Bombeiros informando que a mulher ainda estaria respirando. As equipes de resgate chegaram ao local às 8h13.
Uma vizinha relatou à polícia que ouviu um estampido por volta das 7h28, cerca de meia hora antes da primeira ligação feita pelo marido da vítima.
Depoimentos de socorristas também passaram a integrar o inquérito policial. Um dos profissionais afirmou que a arma encontrada na mão da policial estava posicionada de maneira incomum em comparação com outros atendimentos envolvendo suicídio.
Por considerar a cena atípica, ele registrou fotografias no local.
Outro ponto citado nos depoimentos envolve o estado do marido quando as equipes chegaram ao apartamento.
Ele afirmou que estava tomando banho no momento em que ouviu o disparo. No entanto, bombeiros relataram que ele estava seco e que não havia marcas de água no chão que indicassem que ele havia saído do banho naquele momento.
Os socorristas também relataram que não havia sangue no corpo ou nas roupas do oficial quando chegaram ao local.
A investigação também analisa ligações feitas pelo tenente-coronel após o ocorrido. Entre elas está um contato com o desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo.
De acordo com a defesa do magistrado, ele foi chamado ao local como amigo do oficial e deve prestar esclarecimentos às autoridades.
A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso continua sob investigação da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar. Devido ao sigilo judicial, detalhes adicionais da apuração não estão sendo divulgados.
Novos laudos ainda devem ser analisados pelas autoridades responsáveis pela investigação.
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