Polícia
Publicado em 01/05/2026, às 13h30 Foto: Reprodução/Agência SP Fernanda Montanha
Uma apreensão de drogas feita em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, em 2023, deu início a uma investigação que levou a polícia a identificar um suposto núcleo político ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
O caso resultou, entre outras ações, na prisão de um ex-vereador de Santo André durante a Operação Contaminatio, realizada na segunda-feira (27).
Tudo começou em junho de 2023, quando policiais receberam uma denúncia sobre a presença de um foragido da Justiça em uma casa no bairro Vila Ursulina. O imóvel também seria usado como depósito de entorpecentes.
No local, os agentes encontraram Edivaldo Raimundo dos Santos e Fabiana Manzini. Dentro da residência havia 8 kg de cocaína e 18 kg de maconha. Edivaldo foi preso, enquanto Fabiana foi liberada inicialmente após afirmar que apenas alugava o imóvel, segundo o Metrópoles.
Com o avanço das apurações, a polícia concluiu que Fabiana tinha ligação direta com o tráfico e era casada com Anderson Manzini, conhecido como Gordo, integrante do PCC preso há mais de 20 anos.
Ela também mantinha relação próxima com Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, ex-integrante da alta cúpula da facção. Em outubro de 2023, Fabiana foi presa em Praia Grande, onde os policiais apreenderam 2 celulares.
A análise dos aparelhos revelou conversas com João Gabriel de Mello Yamawaki, responsável pela fintech 4TBANK e primo de Anderson Manzini. As mensagens indicavam articulações para apoiar candidatos ligados ao PCC nas eleições de 2024.
Entre os municípios citados estavam Ubatuba, Mogi das Cruzes e Santo André. Para esta última cidade, aparecia o nome de Thiago Rocha, ex-vereador do PSD preso nesta semana.
Segundo a Polícia Civil, o grupo buscava criar um núcleo político para explorar recursos públicos e fortalecer a facção criminosa. Uma das estratégias seria fazer com que boletos de prefeituras fossem processados pela 4TBANK.
A mesma fintech já era apontada como instrumento para lavagem de dinheiro do PCC. A investigação também indicou tentativa de aproximação com o Palácio dos Bandeirantes durante a gestão de João Doria.
A defesa de Thiago Rocha nega qualquer vínculo com o PCC e afirma que ele sempre atuou de forma regular na política do ABC paulista. Outros investigados também foram alvo de mandados de prisão na Operação Contaminatio.