Polícia
Publicado em 04/05/2026, às 12h01 Foto: Reprodução/ Tv Globo Fernanda Montanha
A Polícia Civil do Amazonas concluiu as apurações sobre a morte de Benício Xavier, de 6 anos, ocorrida em novembro do ano passado, em Manaus. O inquérito apontou que a criança morreu após receber uma overdose de adrenalina, resultado classificado pelos investigadores como um “erro médico grosseiro”.
Segundo a investigação, o medicamento foi aplicado diretamente na veia, quando o protocolo correto previa administração por inalação, o que provocou o agravamento rápido do quadro clínico.
Benício havia dado entrada no Hospital Santa Júlia apenas com tosse seca. A médica Juliana Brasil foi quem prescreveu a adrenalina intravenosa, e a aplicação foi feita pela técnica de enfermagem Raiza Bentes, segundo o Terra.
De acordo com os pais, a mãe da criança chegou a questionar o uso do medicamento na veia, afirmando que o filho nunca havia passado por aquele procedimento. Mesmo assim, a medicação foi administrada.
Pouco depois, Benício começou a passar mal e relatou que sentia como se o coração estivesse “queimando”. A perícia concluiu que, após a piora, o quadro já era irreversível e não houve falhas da equipe da UTI, nem problemas relacionados à intubação.
Imagens das câmeras de segurança também foram analisadas durante a investigação. Elas mostram a médica utilizando o celular enquanto acompanhava o atendimento da criança.
A extração de dados do aparelho revelou mensagens trocadas naquele momento, nas quais Juliana negociava a venda de produtos cosméticos com uma amiga. A mãe de Benício criticou a conduta e afirmou que a médica ignorava a gravidade da situação.
Juliana Brasil foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual, fraude processual e falsidade ideológica. A polícia também apura a suspeita de que ela tenha produzido um vídeo falso para sustentar a versão de erro no sistema do hospital.
A defesa da médica alegou que a falha ocorreu porque o sistema teria alterado a prescrição de via inalatória para intravenosa. Também afirmou que, naquele momento, Benício já estava na sala vermelha e sob cuidados intensivos.
A técnica de enfermagem Raiza Bentes também foi indiciada por homicídio doloso com dolo eventual. Sua defesa informou que ela deixou a profissão e não pretende retornar à área.
Já os diretores do hospital responderão por homicídio culposo. A polícia entendeu que houve negligência, já que a unidade não contava com enfermeiros suficientes nem com farmacêutico disponível para revisar a prescrição médica.
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