Polícia
Publicado em 04/02/2026, às 10h29 Foto: Reprodução/Instagram Fernanda Montanha
A Polícia Civil de Santa Catarina finalizou o inquérito que apura a morte do cão comunitário Orelha, vítima de maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis.
Durante a apuração, os investigadores também reuniram provas sobre uma tentativa de afogamento contra outro cachorro, identificado como Caramelo, que conseguiu fugir. Os dois episódios foram atribuídos a adolescentes, conforme informou a corporação.
A conclusão do inquérito foi confirmada pelo Governo de Santa Catarina à CNN Brasil. De acordo com a Polícia Civil, os envolvidos nos dois casos são menores de idade.
No episódio relacionado ao cão Caramelo, 4 adolescentes foram responsabilizados. Já no caso da morte de Orelha, a polícia solicitou à Justiça a internação de um adolescente, medida aplicada em situações consideradas graves. A solicitação leva em conta a violência constatada no crime, segundo os investigadores.
No dia 26 de janeiro, a Polícia Civil realizou uma operação para aprofundar as investigações sobre as agressões sofridas por Orelha. O animal foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, em via pública. Laudos elaborados pela Polícia Científica apontaram que o cachorro sofreu uma pancada contundente na região da cabeça. O ferimento pode ter sido causado por chute ou por objeto rígido, como garrafa ou pedaço de madeira.
Após o ataque, Orelha foi encontrado por moradores e levado para atendimento veterinário no dia seguinte. Apesar do socorro, o cão morreu em uma clínica. A partir desse momento, a polícia intensificou as diligências para identificar os autores e reconstruir a dinâmica do crime.
Para chegar aos suspeitos, foi montada uma força-tarefa que analisou mais de mil horas de imagens captadas por câmeras de segurança instaladas na região. As gravações vieram de 14 equipamentos diferentes. Além disso, 24 testemunhas foram ouvidas e 8 adolescentes passaram a ser investigados. Um software de análise de localização também foi utilizado para cruzar dados.
As apurações indicaram inconsistências no depoimento do adolescente apontado como autor da agressão fatal. Imagens mostram que ele deixou um condomínio às 5h25 e retornou às 5h58, informação que diverge da versão apresentada à polícia.
No mesmo dia em que os suspeitos foram identificados, o adolescente viajou para os Estados Unidos, onde permaneceu até 29 de janeiro. Ao retornar ao Brasil, foi abordado no aeroporto.
Durante a ação, um familiar tentou esconder um boné e um moletom que, segundo a investigação, teriam sido usados no dia do crime. As peças foram consideradas relevantes para o inquérito, de acordo com a polícia.
Além da morte de Orelha, a Polícia Civil apurou maus-tratos contra o cão Caramelo. As investigações apontam que um adolescente teria levado o animal até o mar, segurando-o no colo, mas o cachorro conseguiu escapar. Quatro adolescentes responderão por esse episódio.
No inquérito referente à morte de Orelha, 3 adultos foram indiciados por coação a testemunha, sob a suspeita de tentativa de interferência nas investigações.
A polícia informou ainda que a análise de dados extraídos de celulares apreendidos continua em andamento e pode reforçar provas já reunidas. Os procedimentos foram encaminhados ao Ministério Público e ao Judiciário.
Em nota, a defesa do adolescente apontado como autor das agressões afirmou que a conclusão do inquérito se baseia em elementos circunstanciais.
Os advogados também questionaram a comprovação das agressões, o uso das imagens e a relação entre as roupas apreendidas e o crime, além de mencionar a presença de outros adolescentes no local no mesmo horário.
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