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Quem é Fernando Padula Novaes, secretário que teve casa furtada em SP

Padula ocupa o cargo de secretário municipal de Educação desde 2021; trajetória também foi marcada por supostas fraudes envolvendo merendas escolares  |  Foto: Divulgação/Secretaria de Educação - SP

Publicado em 07/09/2026, às 08h35   Foto: Divulgação/Secretaria de Educação - SP   Amanda Ambrozio

À frente da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo desde 2021, Fernando Padula Novaes construiu uma carreira de mais de duas décadas no serviço público paulista, especialmente em cargos de gestão e chefia dentro da área educacional.

Bacharel em Direito e servidor de carreira do governo estadual, ele também ocupou funções em outras secretarias e no Arquivo Público do Estado.

O nome de Padula voltou a ganhar destaque nos últimos dias após sua residência, no Jardim Paulista, Zona Oeste da capital, ser furtada por um grupo de criminosos.

O caso ocorreu na noite de sábado (5) e um dos suspeitos foi preso após ser perseguido pela polícia. A ocorrência foi registrada como furto a residência e associação criminosa, e a investigação continua para identificar os demais envolvidos.

Carreira começou na administração estadual

Segundo o currículo divulgado pela própria Secretaria Municipal de Educação, Padula é bacharel em Direito, servidor público do Estado de São Paulo e possui pós-graduação no programa Latino-Americano de Governabilidade, Gerência Política e Gestão Pública da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Ele também é mestre em Cidades Inteligentes e Sustentáveis pela Universidade Nove de Julho e participou do Programa de Liderança em Desenvolvimento Infantil da Universidade Harvard.

Sua trajetória na administração pública começou ainda nos anos 1990.

Entre fevereiro de 1999 e fevereiro de 2003, foi assessor da Secretaria Estadual da Educação. Depois, ocupou a chefia de gabinete da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, entre 2003 e 2007.

Em agosto de 2007, assumiu a chefia de gabinete da Secretaria Estadual da Educação, função que exerceu até fevereiro de 2016. Também passou pela Secretaria Estadual de Projetos, Orçamento e Gestão.

A experiência na administração estadual foi acompanhada por premiações. Padula foi painelista do Congresso de Gestão Pública do Consad em 2009, 2010 e 2011 e venceu três vezes o Prêmio Mario Covas de Gestão Pública, concedido pela então Fundap, em 2008, 2009 e 2011.

Foto: Divulgação/Secretaria Municipal de Educação
Foto: Divulgação/Secretaria Municipal de Educação
Foto: Reprodução/Facebook

Investigação na Operação Alba Branca marcou trajetória

A carreira de Padula também foi marcada pela Operação Alba Branca, deflagrada em janeiro de 2016 para investigar suspeitas de fraudes em contratos de fornecimento de alimentos para merendas escolares.

Na época, Padula era chefe de gabinete da Secretaria Estadual da Educação e foi exonerado do cargo em janeiro daquele ano. Interceptações telefônicas analisadas pela investigação registraram integrantes do esquema se referindo a ele como “nosso homem”.

Segundo a Polícia Civil, os diálogos indicavam que um dos investigados teria buscado orientação de Padula sobre um contrato envolvendo a Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf).

Padula negou ter orientado integrantes do grupo ou favorecido a cooperativa. Em depoimento à CPI da Merenda da Assembleia Legislativa, em outubro de 2016, afirmou que não tinha envolvimento ou favorecimento à Coaf. A própria Alesp registra que ele negou qualquer participação no esquema durante a oitiva.

A Corregedoria Geral da Administração também informou, naquele período, que não havia comprovado os fatos atribuídos a Padula. Em outubro de 2016, a CGA havia isentado Padula de irregularidades.

A situação jurídica, porém, teve novos desdobramentos.

Em 2018, o Ministério Público havia apresentado denúncia contra Padula por suposta participação no caso. Em 2020, ele chegou a ser incluído em uma ação civil pública de improbidade, que levou inicialmente à indisponibilidade de seus bens.

No mesmo ano, entretanto, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal julgou procedente uma reclamação e determinou o trancamento da ação civil em relação a Padula, sua exclusão do processo e a desconstituição da ordem de indisponibilidade de seus bens.

Nomeação para o Arquivo Público

Poucos meses depois de deixar a chefia de gabinete da Educação, Padula foi nomeado pelo então governador Geraldo Alckmin para comandar o Arquivo Público do Estado de São Paulo. A nomeação foi publicada em abril de 2016, enquanto ele ainda era citado nas investigações da Alba Branca.

Ele permaneceu como coordenador do Arquivo Público até dezembro de 2020, de acordo com o currículo oficial divulgado pela Prefeitura.

Chegada à Educação municipal

A relação de Padula com a Prefeitura de São Paulo começou antes de assumir a secretaria.

Em 2020, ele foi nomeado representante no Conselho Municipal de Educação. No início de 2021, deixou o colegiado após ser nomeado secretário municipal de Educação.

Padula assumiu a Secretaria Municipal de Educação em maio de 2021, ainda durante a gestão de Bruno Covas. Documentos oficiais da Prefeitura mostram que ele permaneceu no cargo após a morte de Covas e durante a administração de Ricardo Nunes (MDB).

Nunes o manteve no posto após a eleição de 2024, tornando Padula um dos secretários que permaneceram na administração para o segundo mandato.

Furto na casa do secretário

A residência de Padula, no Jardim Paulista, foi alvo de um furto na noite de 5 de setembro.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), policiais militares foram acionados durante a ação e encontraram quatro suspeitos saindo do imóvel. Os criminosos fugiram, abandonando parte dos objetos levados.

Um homem de 25 anos foi localizado na Avenida Nove de Julho e preso em flagrante.

Segundo a SSP, objetos e valores foram recuperados, duas chaves de fenda foram apreendidas e o Instituto de Criminalística foi acionado para realizar a perícia.

O caso foi registrado no 14º Distrito Policial, em Pinheiros, como furto a residência e associação criminosa. As diligências continuam para localizar os demais envolvidos.

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