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Quem é o vereador preso em operação que investiga lavagem de dinheiro em empresa de ônibus

A Operação Última Parada, realizada pela Polícia Civil, resultou na prisão do vereador e investigações sobre suas atividades ilícitas  |  Foto: Divulgação/ Câmara de Vereadores

Publicado em 25/06/2026, às 09h03 - Atualizado às 09h23   Foto: Divulgação/ Câmara de Vereadores   Tatiana Ribeiro

Apontado como uma das figuras centrais de um possível esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) em uma empresa de ônibus, o vereador Senival Pereira de Moura (PT) foi preso na Operação Última Parada, deflagrada na manhã desta quinta-feira (25), pela Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo.
Senival Pereira Moura nasceu na cidade de Batalha, em Alagoas, em 1965. Ele e a família chegaram a São Paulo em 1977 e nos anos 1990 ingressou no setor de transporte público de passageiros pelo sistema de lotação.
Ele foi um dos fundadores do Sindilotação (Sindicato dos Proprietários de Veículos Profissionais Autônomos), momento em que começou a ingressar na vida política. 

Vida política

Em seu sexto mandato como vereador na Câmara Municipal de São Paulo, Senival desempenha atualmente funções de destaque na Casa.
Ele ocupa o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora e preside a Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica, responsável por debater, acompanhar e fiscalizar ações e políticas públicas ligadas à mobilidade urbana e ao sistema de transportes da capital paulista.
Filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 1984, o edil já foi candidato a deputado estadual em 2002 e no ano de 2004 pleiteou uma vaga à Câmara Municipal, ficando com a primeira suplência, que assumiu em 1º de fevereiro de 2007.
Em 2008 foi reeleito com 66.139 votos, sendo o vereador mais votado do PT. No ano de 2020, foi reeleito vereador por São Paulo com 25.311 votos.

Investigação

De acordo com a investigação, Moura exercia influência direta sobre uma estrutura financeira paralela mantida dentro da Transunião Transportes, embora não integrasse oficialmente o quadro societário ou administrativo da empresa.
Os investigadores apontam que nenhuma movimentação ou repasse de recursos era realizado sem sua autorização.

Assasinato de Adauto Soares

As apurações da Polícia Civil tiveram origem após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então diretor-presidente da Transunião, ocorrido em março de 2020.
Ele foi morto no estacionamento de uma padaria localizada no bairro do Lajeado, na Zona Leste da capital paulista.
Ao longo da investigação, surgiram indícios de que o crime estaria relacionado a disputas pelo controle administrativo e financeiro da empresa, que, segundo a polícia, teria sido utilizada como instrumento para movimentação e ocultação de recursos provenientes de atividades ilícitas.
Em 2022, a investigação da Polícia Civil já indicava que Adauto Soares Jorge atuava como um dos supostos "laranjas" do esquema.

Lavagem de dinheiro

Segundo os investigadores, ele exerceria a função de "testa de ferro" de Senival Moura na direção da Transunião, empresa que, de acordo com as apurações, teria sido utilizada para a lavagem de dinheiro em benefício de integrantes do PCC.
Na mesma investigação, Jair Ramos de Freitas, conhecido como "Cachorrão", foi apontado como o responsável pelos disparos que mataram Adauto.
A polícia também identificou que, no dia do crime, a vítima foi levada até a padaria onde ocorreu o homicídio por Devanil Souza Nascimento, o "Sapo", considerado homem de confiança de Senival Moura e que também acabou preso durante a operação deflagrada naquele ano.

Caixa paralelo

De acordo com o Ministério Público, a execução teria sido motivada por uma suposta ruptura de confiança envolvendo recursos financeiros.
A suspeita é de que integrantes da facção descobriram que Adauto estaria desviando valores da Transunião para abastecer um caixa paralelo destinado à campanha de reeleição de Senival Moura em 2020, reduzindo os repasses que deveriam ser direcionados ao grupo criminoso.
Ainda segundo a acusação, diante da situação, Leonel Martins, conhecido como "Cabeça Branca", teria sido encarregado de conduzir um "debate" — termo usado pela facção para se referir a julgamentos internos — que culminou na decisão pela morte do então diretor-presidente da empresa.

Classificação Indicativa: Livre


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