Polícia
por Tatiana Ribeiro
Publicado em 25/06/2026, às 07h09
A Operação Última Parada, que mira um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público, foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (25), pela Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Os agentes cumprem cinco mandados de prisão temporária e 103 de busca e apreensão.
Até agora são três presos, entre eles, o vereador da capital Senival Moura, do PT, o presidente da Transunião Transportes S.A., Jair Ramos de Freitas ("Cachorrão"), diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento ("Sapo"): motorista e homem de confiança do vereador.
Ainda há outros alvos da ação. São eles: Lourival Monário ("Orelha"): atual presidente, acusado de ser nomeado pelo PCC para garantir o escoamento de recursos ilícitos e
Leonel Moreira Martins ("Cabeça Branca"): supervisor operacional que atuava como o interlocutor direto do PCC dentro da empresa, transmitindo ordens da facção.
Os alvos da investigação respondem por suspeitas de envolvimento em organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em processos licitatórios.
Como desdobramento da operação, a diretoria da empresa de ônibus Transunião foi afastada de suas funções, e a Prefeitura de São Paulo foi oficialmente comunicada para adotar as providências administrativas necessárias.
Os mandados judiciais são cumpridos em diversos endereços localizados na capital paulista, na Região Metropolitana de São Paulo e também no município de Extrema, em Minas Gerais.
A ação é coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público.
Segundo dados do sindicato das empresas de ônibus da capital (SPUrbanuss), a Transunião transporta 389 mil passageiros por dia e opera 51 linhas de ônibus, tendo atuação principalmente na Zona Leste da capital paulista.
A Justiça ainda determinou o afastamento imediato de todos os integrantes da atual diretoria e da administração da Transunião.
Diante da natureza essencial do serviço prestado, a São Paulo Transporte (SPTrans) foi comunicada da decisão judicial para adotar as medidas necessárias à manutenção do transporte público.
Agora, caberá ao município assegurar a continuidade da operação das linhas atendidas pela empresa, seja por meio de uma intervenção administrativa na Transunião, seja pela redistribuição das rotas para outras concessionárias que atuam na capital paulista.
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