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Seguro de R$ 85 milhões: caso de empresário morto há cinco anos ganha novo capítulo em SP

Mudanças revelam novos questionamentos sobre a morte de José Matheus Silva Gomes, que contratou 14 apólices de seguro antes de ser encontrado morto  |  Foto: Reprodução

Publicado em 02/06/2026, às 13h31 - Atualizado às 13h33   Foto: Reprodução   Redação BNews São Paulo

Uma investigação iniciada em 2021 ainda não conseguiu esclarecer se a morte do empresário José Matheus Silva Gomes, de 31 anos, em Jandira (SP), foi suicídio ou homicídio.

Além disso, a polícia tenta confirmar se o corpo enterrado é realmente o dele. O caso também envolve apólices de seguro que somam cerca de R$ 85 milhões.

Morte ocorreu dentro de carro blindado

José Matheus foi encontrado ferido no banco traseiro de um Volkswagen Jetta blindado em 2 de julho de 2021. Havia uma pistola próxima ao corpo, um disparo na têmpora e nenhum sinal de luta, o que levou a perícia a considerar inicialmente a hipótese de suicídio.

Ele foi socorrido para um hospital em Osasco, mas não resistiu. Exames do IML reforçaram essa linha de investigação, por mais que a possibilidade de homicídio nunca tenha sido totalmente descartada por falta de testemunhas e imagens.

José Matheus, empresário encontrado baleado em 2021 (Foto: Reprodução)

Mudança na investigação

Em dezembro de 2021, a Polícia Civil reclassificou o caso de suicídio para homicídio doloso, mesmo sem suspeitos identificados. A mudança permitiu ampliar as investigações e trouxe novos questionamentos sobre as circunstâncias da morte.

Entre os principais interessados no esclarecimento está a seguradora Prudential, responsável pela maior parte dos seguros contratados pelo empresário.

Segundo a investigação, José Matheus contratou 14 apólices de seguro de vida entre 2019 e 2021, em quatro seguradoras diferentes, totalizando cerca de R$ 85 milhões. O último contrato foi assinado apenas 11 dias antes de ele ser encontrado baleado.

Somente na Prudential, os seguros somavam R$ 66,5 milhões. Um dos contratos previa indenização de R$ 44 milhões.

Pela legislação, suicídios ocorridos nos dois primeiros anos de vigência do seguro podem impedir o pagamento da indenização principal. Por isso, a classificação da morte tem impacto direto sobre os valores que poderiam ser pagos à beneficiária, a ex-esposa Nayá de Arruda Singarini.

Suspeitas de fraude

Documentos apresentados à polícia apontaram comportamentos considerados atípicos e levantaram suspeitas sobre a origem dos recursos usados para pagar os seguros.

A seguradora afirma que o empresário e seus sócios passaram a ser alvo de ações judiciais relacionadas a um suposto esquema de pirâmide financeira. A empresa Brunswick Capital Group Investimentos teria recebido pelo menos R$ 18 milhões prometendo rendimentos acima do mercado.

Investidores suspeitam que parte desse dinheiro tenha sido usada para manter um padrão de vida elevado e custear os seguros, cujos pagamentos mensais chegariam a cerca de R$ 77 mil.

Polícia investiga lavagem de dinheiro

As suspeitas levaram à abertura de um segundo inquérito para apurar possíveis crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa envolvendo sócios de José Matheus, entre eles Victor Hugo Conservani Coutinho e Gabriel Pimentel e Silva.

Gabriel, por meio de advogado, negou irregularidades e afirmou estar à disposição das autoridades. Victor Hugo não se manifestou.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o inquérito da morte tramita sob sigilo e aguarda o resultado de um exame de DNA solicitado pelo Ministério Público para confirmar a identidade do corpo encontrado no veículo.

Segundo a pasta, todas as hipóteses seguem sendo consideradas e a conclusão do exame poderá ser decisiva para o esclarecimento do caso.

Família contesta dúvidas sobre identidade

O advogado da família, Ricardo Sayeg, afirma que não há dúvidas de que o corpo seja de José Matheus. Segundo ele, um exame da arcada dentária já confirmou a identificação.

Sayeg também acusa as seguradoras de criarem obstáculos para evitar o pagamento das indenizações. Já a Prudential afirma que acompanha o caso seguindo a legislação e as normas da Superintendência de Seguros Privados (Susep), aguardando a conclusão das investigações.

*Com informações da Folha de S.Paulo

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