Polícia
Publicado em 28/08/2025, às 08h42 Foto: Reprodução/Redes Sociais Fernanda Montanha
Na manhã desta quinta-feira (28), foi deflagrada uma operação de grande escala contra um sofisticado esquema criminoso no setor de combustíveis, com participação de integrantes da facção PCC (Primeiro Comando da Capital).
A força-tarefa mobilizou cerca de 1.400 agentes, que cumprem mais de 350 mandados de busca, apreensão e prisão contra pessoas físicas e jurídicas nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
“Estamos diante de um esquema bilionário que impactou toda a cadeia econômica do setor de combustíveis,” destacou o MPSP.
A Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), com apoio do Ministério Público Federal, Polícia Federal, Polícias Civil e Militar, Receita Federal, ANP, Secretaria da Fazenda e PGE-SP, mira crimes como fraude fiscal, lavagem de dinheiro, adulteração de combustíveis, crimes ambientais e estelionato.
Segundo a investigação, o grupo desviava metanol importado pelo Porto de Paranaguá, transportando-o de forma clandestina e com documentação fraudulenta. O produto era usado para adulterar combustíveis em postos e distribuidoras, gerando lucros bilionários para a organização.
“O metanol é altamente inflamável e representa risco para motoristas, pedestres e o meio ambiente,” alertou o MP para CNN.
A fraude ocorria em duas frentes: quantitativa, quando os consumidores recebiam menos combustível do que o indicado, e qualitativa, com combustíveis fora das especificações técnicas exigidas pela ANP. Proprietários de postos que tentaram vender seus estabelecimentos foram ameaçados de morte se exigissem os valores das transações.
Os recursos obtidos eram movimentados por uma rede complexa de empresas e fintechs controladas pelo PCC, utilizando camadas societárias, shell companies e fundos de investimento, dificultando o rastreamento dos beneficiários finais.
Parte do dinheiro foi aplicada na aquisição de usinas sucroalcooleiras, distribuidoras e transportadoras, ampliando a estrutura criminosa.
O CIRA/SP informou que adotará medidas judiciais para sequestrar bens suficientes para recuperar o montante de tributos sonegados, estimado em R$ 7,6 bilhões.
“A ação é pioneira e demonstra a coordenação entre órgãos estaduais e federais para desarticular esquemas de crime organizado no Brasil,” afirmou o MPSP.
Além da Operação Carbono Oculto, outras ações da Polícia Federal também foram deflagradas nesta quinta-feira, com mandados em São Paulo, inclusive na Avenida Faria Lima, mas sem vínculo direto com o MPSP.
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