Polícia
Publicado em 23/07/2026, às 15h50 Divulgação Bernardo Rego
O Shopping Pátio Higienópolis, localizado no bairro de Higienópolis, em São Paulo, fechou um acordo que foi homologado pela Vara da Infância e da Juventude do Foro Central Cível a pagar R$ 1 milhão em virtude de um episódio de discriminação racial verificado no interior do centro comercial, fato apurado a partir de inquérito civil conduzido pela Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude da Capital.
Segundo a Promotoria, a medida extingue o processo com resolução de mérito, consolidando um conjunto robusto de obrigações voltadas à proteção integral a crianças e adolescentes frequentadores do local.
Durante as negociações, o MP propôs ajustes à minuta apresentada pelo shopping. As alterações sugeridas pela promotora de Justiça Florenci Cassab Milani foram integralmente aceitas pelo empreendimento, num acordo cuja construção contou também com a participação dos promotores Renato Kim Barbosa e Moacir Menicheli Reis.
Entre as obrigações assumidas pelo shopping estão a manutenção de um núcleo social formado por dois educadores coordenados por uma assistente social, com atuação todos os dias da semana, e a determinação de que qualquer abordagem a crianças e adolescentes seja feita exclusivamente por integrantes desse núcleo, com foco no acolhimento e no encaminhamento à rede de proteção.
O acordo prevê ainda treinamento periódico dos colaboradores operacionais, ministrado por consultoria externa ao menos duas vezes por ano; inclusão de cláusula antirracista nos contratos firmados pelo empreendimento, aprimoramento do canal de denúncias, com garantia de anonimato e divulgação dos órgãos externos de proteção; realização anual de evento aberto ao público sobre respeito à diversidade e combate ao racismo; envio de relatórios semestrais ao Ministério Público e vigência das obrigações pelo prazo de três anos.
Como parte da composição civil, o montante de R$ 1 milhão deverá ser aplicado em iniciativas de enfrentamento da discriminação racial e de proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. O acordo também estabelece aplicação de multa em caso de descumprimento das obrigações, com aumento do valor em caso de reincidência.
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