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Tudo o que se sabe sobre o caso Maria Eduarda

Caso reúne falhas na segurança, prisões, investigação policial, repercussão nacional e denúncias de violência digital contra a jovem de 21 anos  |  Foto: Reprodução/Instagram

Publicado em 20/06/2026, às 07h00   Foto: Reprodução/Instagram   Andrezza Souza

A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira, no interior de São Paulo, continua repercutindo em todo o país e ganhou novos desdobramentos nos últimos dias.

O caso reúne uma série de elementos que vão desde falhas na segurança da atividade até investigações criminais, questionamentos sobre a atuação dos organizadores e ataques de ódio contra a jovem nas redes sociais.

Apaixonada por esportes e atividades ao ar livre, Maria Eduarda era formada em Educação Física e Gestão Esportiva e costumava compartilhar sua rotina com mais de seis mil seguidores nas redes sociais.

Horas antes da tragédia, publicou vídeos e fotografias mostrando sua chegada à Ponte do Esqueleto e registrou o momento de expectativa para o salto. Em um dos stories, chegou a brincar: "Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?", sem imaginar que aquelas seriam suas últimas publicações.

Como aconteceu o acidente

Foto: Reprodução/Instagram

O acidente ocorreu durante um evento de rope jump realizado na manhã do dia 13 de junho. A modalidade consiste em saltos de grandes alturas utilizando cordas estáticas, que interrompem a queda e transformam o movimento em um grande balanço horizontal.

Maria Eduarda escolheu a modalidade conhecida como "aviãozinho", na qual o participante é impulsionado por instrutores, sem precisar saltar sozinho.

Vídeos gravados por testemunhas mostram a jovem sendo carregada por três organizadores até a plataforma de lançamento. Segundos depois, ela é arremessada da ponte, enquanto pessoas próximas percebem que a principal corda de segurança não havia sido presa ao equipamento.

Os gritos de "A corda!" e "Gente, a corda!" tomam conta do local, mas já era tarde. Maria Eduarda caiu de uma altura estimada entre 30 e 40 metros e sofreu múltiplos traumatismos. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) realizaram manobras de reanimação, porém a morte foi constatada ainda no local.

Depoimentos revelam falhas na organização

As investigações apontam que os próprios responsáveis pela atividade não conseguiram explicar como ocorreu a falha.

Em depoimento à Polícia Civil, os acusados afirmaram que a conferência das cordas era realizada coletivamente e que não existia um responsável específico pela última checagem antes dos saltos.

Segundo os relatos, "às vezes um colocava a corda e outro conferia", mas ninguém conseguiu esclarecer quem deveria ter garantido que Maria Eduarda estava conectada ao sistema de segurança antes do lançamento.

Para os investigadores, a ausência de protocolos claros reforça a hipótese de negligência grave.

Uma testemunha que aguardava na fila para participar do salto gravou o momento do acidente. À polícia, ela afirmou que registrava as imagens para mostrar aos familiares e que não percebeu a ausência da corda por estar concentrada na expectativa de realizar sua própria atividade. Segundo o boletim de ocorrência, o vídeo demonstra de forma clara que a vítima foi lançada sem qualquer proteção.

Prisões e investigação

Foto: Reprodução/ Instagram

Seis pessoas foram levadas para a delegacia após o acidente, mas três permaneceram presas em flagrante por homicídio com dolo eventual, quando se entende que os envolvidos assumiram o risco de produzir o resultado morte.

Durante a ocorrência, policiais também registraram que dois integrantes da equipe tentaram fugir em direção a uma área de mata enquanto equipes de resgate prestavam atendimento à vítima. Conforme o boletim de ocorrência, eles ainda teriam trocado de roupa após o acidente.

Outro ponto investigado é o desaparecimento da câmera GoPro utilizada por Maria Eduarda para registrar o salto. O equipamento, que seria utilizado para gravar a experiência, ainda não foi localizado pelas autoridades.

Dias depois, os instrutores foram transferidos para um Centro de Detenção Provisória em Guarulhos por questões de segurança, enquanto a defesa tenta reverter a prisão preventiva por meio de habeas corpus.

Grupo atuava sem empresa formal

A Polícia Civil informou que o grupo responsável pelos saltos não possuía empresa formalizada para a realização das atividades.

Os organizadores promoviam eventos em diferentes cidades por meio das redes sociais, cobrando pela participação nos saltos e também pela gravação das imagens, mas, segundo a investigação, não tinham autorização específica para operar na Ponte do Esqueleto.

O rope jump também não possui regulamentação específica no Brasil, embora envolva atividades de alto risco que exigem protocolos rigorosos de segurança.

Ponte do Esqueleto acumula acidentes

Localizada entre Limeira e Cordeirópolis, a Ponte do Esqueleto está abandonada há cerca de 30 anos e nunca chegou a ser concluída para o tráfego de veículos.

Apesar disso, o espaço passou a atrair praticantes de esportes radicais e turistas em busca de aventura, acumulando registros de acidentes graves e outras mortes nos últimos anos.

Após a morte de Maria Eduarda, autoridades federais e municipais passaram a discutir medidas para impedir o acesso ao local, incluindo o reforço das barreiras físicas e até mesmo a possibilidade de demolição da estrutura.

Ataques nas redes sociais geram indignação

🚔 Estou denunciando à Polícia Federal diversos perfis que incitaram o estup*o, a necrofilia e o vilipêndio do cadáver da jovem Maria Eduarda.

Maria Eduarda faleceu aos 21 anos, vítima de um grupo de “rope jump” que atirou o seu corpo de uma ponte sem checar a fixação da corda.… pic.twitter.com/2AH0SWMqe8

— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) June 15, 2026

Além da tragédia, familiares e amigos passaram a enfrentar outro episódio de violência.

Dias após a morte de Maria Eduarda, perfis em redes sociais publicaram comentários ofensivos e misóginos, fazendo piadas com a tragédia e sugerindo crimes contra o corpo da jovem.

As mensagens provocaram indignação nacional e levaram parlamentares a acionar a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para investigar os responsáveis e cobrar providências das plataformas digitais.

Após a repercussão do caso, diversos perfis responsáveis pelas publicações deixaram de estar disponíveis.

Caso segue em investigação

A Polícia Civil continua reunindo depoimentos, analisando vídeos, perícias técnicas e demais provas para esclarecer completamente as circunstâncias da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas.

Enquanto familiares ainda tentam lidar com a perda da jovem, o caso reacendeu discussões sobre fiscalização de esportes radicais, responsabilidade dos organizadores, ocupação de áreas públicas abandonadas e o avanço dos discursos de ódio contra mulheres nas redes sociais, mesmo após tragédias que comovem o país.

Classificação Indicativa: Livre


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