Política

890 milhões de passageiros e superlotação diária: o Metrô de SP funciona mesmo?

Apesar do aumento no número de passageiros, a satisfação dos usuários ainda deixa a desejar em conforto e segurança.  |  Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Publicado em 04/03/2026, às 15h00   Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil   Nathalia Quiereguini

Você que pega metrô todos os dias para trabalhar ou estudar… realmente acha que ele está funcionando como deveria? Questões como tempo de espera, lotação, intervalos, moldam a jornada de milhões de paulistanos.

Pataformas cheias, trens chegando e passageiros correndo para baldeações são parte da rotina de quem depende desse sistema todos os dias.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Dados que mostram a importância, e os desafios

O sistema metroviário da Região Metropolitana de São Paulo é um dos pilares da mobilidade urbana. Segundo dados do Metrô de São Paulo, em 2024 a rede transportou cerca de 890 milhões de passageiros, com média de 2,94 milhões de pessoas por dia útil, um crescimento de 4,5% em relação a 2023.

A receita operacional líquida da companhia também cresceu, chegando a R$ 3,02bilhões, impulsionada pelo reajuste da tarifa básica e pelo aumento da circulação de passageiros.

Entre as iniciativas recentes, também houve testes de operação 24 horas aos sábados em algumas linhas, que registraram cerca de 13,8 mil embarques na primeira madrugada de funcionamento experimental.

Satisfação e percepção dos usuários

Apesar dos números positivos, a avaliação do serviço ainda não é unanimidade entre os passageiros.

Pesquisas indicam cerca de 76% de aprovação, o que mostra que aproximadamente um em cada quatro usuários acredita que o sistema pode melhorar, principalmente em conforto, segurança e intervalos entre trens.

“Às vezes eu espero mais de um trem passar para conseguir embarcar”, relata um passageiro na Estação Sé, durante o horário de pico.

Para Vitória, 24 anos, psicóloga, a superlotação é um problema frequente na rotina de quem depende do transporte público. “Utilizo o metrô todo dia. Todo dia tem superlotação, principalmente em zonas mais periféricas. As Linhas 7, 8 e 9 são as mais lotadas”, afirma.

A percepção também aparece entre passageiros que utilizam o sistema em diferentes horários. Regina, 43 anos, diarista, que embarca na Estação Barra Funda, conta que a experiência varia ao longo do dia. “Eu pego metrô todo dia, mas depois das 8h fica mais tranquilo. Nos horários de pico é sempre muito lotado”, diz.

Problemas que ainda surgem no dia a dia

A superlotação segue como um dos principais desafios do transporte metroviário, especialmente nas primeiras horas da manhã e no fim da tarde.

Segundo Vitória, o intervalo entre trens poderia ser ajustado para melhorar o fluxo de passageiros.

“Principalmente das 6h às 8h da manhã, seria importante ter mais transicionamento de trens e metrôs, trazendo alguns trens vazios”, comenta.

Entre usuários mais antigos do sistema, a percepção também é de que o crescimento da cidade aumentou a pressão sobre a rede.

José Milton, 86 anos, professor aposentado, que utiliza o transporte na Estação Barra Funda, resume a situação de forma direta. “Utilizo quase que diariamente. É superlotação mesmo, é muita gente. Para melhorar só se fizer outra estação”, afirma.

Dados recentes também mostram desafios operacionais. Em 2025, o número de incidentes envolvendo passageiros que impactaram a operação aumentou, passando de 70 para cerca de 80 casos, muitos deles relacionados à ausência de portas de plataforma em parte da rede, um recurso de segurança que ainda está sendo instalado gradualmente.

Falhas técnicas em linhas mais antigas também podem provocar lentidão e atrasos, especialmente nas Linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha, que concentram grande volume de passageiros diariamente.

O que muda para o passageiro

Mesmo com investimentos em tecnologia, manutenção e expansão, muitos usuários ainda relatam dificuldades para embarcar no primeiro trem que chega, sensação de superlotação e impactos na rotina de trabalho ou estudo.

Vitória também aponta caminhos para melhorias no sistema. “Poderíamos ter mais rotas, tanto no trem quanto no metrô, mais conforto e segurança”, avalia.

Projetos de expansão, como a extensão da Linha 5-Lilás até Jardim Ângela e a construção das novas Linhas 6-Laranja, 16-Violeta e 19-Celeste, prometem ampliar a rede nos próximos anos e ajudar a aliviar a pressão nas linhas mais saturadas.

Funcionando, mas ainda com caminho a percorrer

Para quem depende do transporte metroviário todos os dias, a sensação de que o serviço poderia ser mais eficiente e confortável ainda persiste. A pergunta que muitos passageiros fazem é simples: o metrô está funcionando como deveria?

Os números mostram crescimento e inovação. Já as experiências de usuários como Vitória, Regina e José Milton revelam que ainda existem desafios importantes a serem enfrentados.

Classificação Indicativa: Livre


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