Política
Publicado em 17/09/2026, às 20h40 Foto: NOAA Satellites Marcela Guimarães
O El Niño já começa a gerar impactos no clima brasileiro, mas a tendência é de que os efeitos se tornem ainda mais intensos nos próximos meses, quando o fenômeno deve atingir seu pico.
A atuação, porém, não será uniforme. Algumas regiões devem enfrentar temporais e excesso de água, mas outras terão longos períodos de seca.
As projeções foram divulgadas no boletim da última quarta-feira (16) pelo Instituto ClimaInfo, organização que acompanha e debate questões relacionadas às mudanças climáticas.
Segundo o levantamento, o contraste entre as regiões deve se acentuar conforme o fenômeno ganhe força.
Na região Norte, o cenário já é marcado por temperaturas elevadas e baixos volumes de chuva.
Durante julho e agosto, a bacia recebeu apenas 45% da chuva esperada. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as condições de calor e seca devem continuar predominando nas regiões Norte e Nordeste pelo menos até novembro.
No Nordeste, a falta de água no solo pode chegar a 150 mm no Ceará, além do centro-norte do Piauí e do oeste dos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
No Sudeste, a previsão é diferente. São Paulo deve continuar registrando volumes de chuva acima da média, enquanto áreas do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo podem ser atingidas por temporais isolados.
A situação mais crítica, porém, deve se concentrar no Sul, principalmente no Rio Grande do Sul. A previsão indica excesso de água no solo de até 150 mm no estado durante outubro, aumentando o risco de fortes temporais.
Os sinais de intensificação do El Niño também foram observados no Pacífico. Na última segunda-feira (14), a temperatura na região central do oceano chegou a uma anomalia de +2°C, depois de permanecer durante meses em torno de +1,8°C.
De acordo com a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), existe 90% de probabilidade de o fenômeno alcançar uma intensidade considerada “muito forte” nos próximos trimestres de outono e inverno no Hemisfério Norte. Nesse cenário, a anomalia de temperatura poderia chegar a 3,4°C.
Os efeitos já foram sentidos no Brasil. No mesmo dia do registro no Pacífico, São Paulo e Rio de Janeiro tiveram um dos setembros mais chuvosos dos últimos anos.
No lado paulista, os temporais provocaram estragos em diferentes regiões. Em Eldorado, no Vale do Ribeira, a cidade chegou a ficar completamente alagada.
No Paraná, as chuvas intensas também causaram grandes impactos. Mais de 21 mil pessoas foram afetadas pelos temporais registrados no estado.
*Com apuração da CNN Brasil
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