Política
por Marcela Guimarães
Publicado em 13/07/2026, às 11h07 - Atualizado às 11h10
Nos próximos meses, o Brasil pode enfrentar um dos episódios de El Niño mais intensos já registrados.
Segundo o Centro de Previsão Climática (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), existe 81% de probabilidade de o fenômeno atingir a categoria de “muito forte” entre outubro e dezembro, podendo surgir entre os eventos mais intensos desde 1950.
Além das projeções dos modelos climáticos, meteorologistas identificaram um forte acoplamento entre a atmosfera e o Oceano Pacífico, o que aumenta as chances de o El Niño permanecer ativo até o início de 2027.
Os efeitos do fenômeno já começaram a aparecer e tendem a se intensificar neste segundo semestre do ano. A previsão é de excesso de chuva no Centro-Sul do país, enquanto Norte e Nordeste devem registrar temperaturas elevadas, diminuição das precipitações e aumento do risco de queimadas.
Especialistas alertam que o atual cenário pode ser ainda mais severo devido ao aquecimento dos oceanos, que favorece a ocorrência de eventos climáticos extremos.
A principal preocupação está concentrada na região Sul. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul devem registrar volumes de chuva acima da média, aumentando o risco de enchentes, alagamentos, deslizamentos e inundações.
Durante a primavera, também aumenta a possibilidade de tempestades severas, com vendavais, granizo e outros fenômenos. O foco fica no Sul, em Mato Grosso do Sul e em partes do estado de São Paulo.
O primeiro boletim oficial sobre o El Niño 2026/27, elaborado por órgãos federais, também aponta que o aumento da umidade do solo pode agravar os impactos de episódios de chuva intensa. As enchentes históricas registradas no Rio Grande do Sul em 2024 reforçam a preocupação.
Enquanto o Sul deve enfrentar excesso de chuva, as regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste devem registrar chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal durante boa parte deste semestre.
As ondas de calor podem levar os termômetros a marcas próximas ou superiores a 40°C entre outubro e dezembro em diversas áreas do Centro-Norte do país.
Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o período entre julho e setembro concentra o maior risco de incêndios florestais em estados como Mato Grosso, Rondônia, Acre, sul do Amazonas, sul do Pará e na região do Matopiba.
A combinação de estiagem prolongada, calor intenso e vegetação seca favorece a propagação das chamas.
Os reflexos também devem atingir o setor agropecuário. No Sul, o aumento das chuvas pode beneficiar as culturas de inverno, por mais que o excesso de umidade favoreça doenças causadas por fungos.
No Centro-Oeste, a previsão é positiva para culturas como milho de segunda safra, algodão e cana-de-açúcar, mas o calor pode reduzir a umidade do solo e afetar pastagens.
Já no Sudeste, as chuvas próximas da média tendem a favorecer as culturas de inverno e a colheita do café.
Os maiores desafios devem ocorrer no Norte e Nordeste, onde a escassez de chuva e as altas temperaturas podem reduzir a produtividade agrícola, comprometer a agricultura familiar, afetar culturas permanentes e diminuir a disponibilidade de água para a pecuária.
Com as previsões, especialistas defendem que estados e municípios reforcem os planos de contingência antes da chegada dos meses mais críticos.
O boletim elaborado por órgãos federais recomenda a revisão dos planos de emergência, o fortalecimento dos sistemas de monitoramento e alerta e a preparação das comunidades mais vulneráveis.
*Com informações do portal Metrópoles
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