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Contrato milionário vira alvo e secretário da Saúde de SP é multado; entenda

Tribunal aponta falhas no planejamento e na transparência de contrato de R$ 59 milhões; decisão ainda cabe recurso da Secretaria  |  Foto: Marcelo S. Camargo/GESP.

Publicado em 23/03/2026, às 21h02   Foto: Marcelo S. Camargo/GESP.   Bianca Novais

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) multou o secretário estadual da Saúde,Eleuses Paiva, após identificar irregularidades em um contrato de mais de R$ 59 milhões para a gestão de uma unidade da Rede Lucy Montoro em Presidente Prudente, no interior do estado. As informações foram divulgadas pelo g1.

A penalidade, fixada em 160 UFESPs, cerca de R$ 5.600, foi aplicada com base em falhas consideradas relevantes no processo de contratação.

O contrato, firmado com a Associação Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus, foi julgado irregular pela Segunda Câmara do tribunal, mas ainda pode ser contestado por meio de recurso.

Foto: Marcelo S. Camargo/GESP.

Falhas no planejamento

Entre os principais pontos levantados pelo TCE está a “fragilidade do planejamento prévio da contratação”. Segundo o órgão, não houve dimensionamento adequado da quantidade necessária de profissionais para operar a unidade.

Também foram identificadas lacunas no detalhamento dos custos, tanto unitários quanto globais. Para o relator do caso, conselheiro Maxwell Borges de Moura Vieira, essas falhas comprometem a transparência do contrato e dificultam a análise sobre sua economicidade e vantagem para a administração pública.

Outro problema apontado foi a ausência de um quadro mínimo de pessoal, o que prejudica a clareza do orçamento apresentado. Além disso, o plano operacional não detalhava os custos de cada serviço ou procedimento, impedindo a comparação com valores de mercado.

Reincidência pesa na decisão

O tribunal destacou ainda que houve descumprimento reiterado de orientações anteriores sobre a necessidade de detalhamento dos custos em contratos desse tipo. Esse histórico contribuiu para a aplicação da multa ao secretário.

Diante de possíveis conflitos normativos na composição do conselho de administração da entidade responsável pela gestão, o caso também foi encaminhado ao Ministério Público Estadual para análise.

Defesa da Secretaria

Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde afirmou que a decisão não é definitiva e que apresentará recurso dentro do prazo legal. A pasta argumenta que o modelo adotado não se baseia na compra de serviços isolados, mas na operação completa da unidade.

Segundo a secretaria, o orçamento foi estruturado de forma global, levando em conta o perfil dos pacientes, os atendimentos oferecidos e as características da unidade. O contrato, ainda de acordo com a pasta, prevê metas quantitativas e qualitativas, com penalidades em caso de descumprimento.

A gestão estadual também informou que tem promovido mudanças no modelo de chamamento público, com regras mais rigorosas e critérios mais objetivos para a seleção de Organizações Sociais de Saúde, além de reforçar mecanismos de controle e avaliação.

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