Política

Cracolândia: dispersão tem relatos de truculência e nova regra contra aglomerações

Levantamento aponta 11 mortes de moradores de rua em ações policiais entre 2023 e 2025 na região central de São Paulo.  |  Foto: Reprodução/Paulo Pinto/Agência Brasil

Publicado em 19/06/2026, às 09h29   Foto: Reprodução/Paulo Pinto/Agência Brasil   Fernanda Montanha

Um levantamento apontou que pelo menos 11 pessoas identificadas como moradores de rua ou usuários de drogas morreram em ações da Polícia Militar na região central de São Paulo entre 2023 e 2025.

O período analisado coincide com a dispersão da antiga Cracolândia, marcada por operações policiais e pela adoção de uma política que restringe aglomerações de usuários de drogas na região, conta o Metrópoles.

A análise reuniu 59 processos judiciais relacionados a mortes causadas por policiais militares na área da 1ª Delegacia Seccional da capital. O levantamento apontou aumento da letalidade policial no centro da cidade nos últimos anos.

Segundo os dados, em apenas 1 dos 11 casos envolvendo moradores de rua ou dependentes químicos havia uso de câmeras corporais pelos agentes. Em ao menos 8 ocorrências, os registros indicam que as vítimas estavam desarmadas, embora algumas versões policiais sejam contestadas.

Foto: Reprodução/Paulo Pinto/Agência Brasil

Relatos de familiares e questionamentos sobre as ocorrências

Entre os casos analisados está o de Losrran, morto em uma ocupação na região do Brás. O irmão afirma que policiais teriam criado uma situação para justificar um suposto confronto.

A versão apresentada pelos agentes é diferente e aponta que houve reação armada no local. Situações semelhantes aparecem em outros inquéritos, principalmente em áreas com poucas testemunhas.

Outro caso envolve Rafael Oliveira, de 44 anos, morto em 2024 no Parque Dom Pedro. A família buscou testemunhas por conta própria após discordar da dinâmica registrada oficialmente.

Em um dos episódios com câmera corporal, as imagens contrariaram a narrativa inicial dos policiais. O vídeo mostrou Jeferson de Souza, de 24 anos, sem apresentar reação antes de ser baleado sob um viaduto.

Dispersão da Cracolândia e novas abordagens

Após o espalhamento dos usuários pelo centro, a prefeitura e o governo estadual passaram a adotar um modelo de policiamento constante na região onde ficava a antiga Cracolândia.

Moradores relatam que grupos pequenos são frequentemente dispersados e que abordagens acontecem principalmente contra pessoas em situação de rua.

Usuários afirmam que a circulação constante das equipes policiais mudou a rotina de quem permanece nas ruas do centro. A política inclui prisões de pessoas com pendências judiciais e uso de sistemas de monitoramento.

Segundo relatos, a dúvida permanece sobre o destino de algumas pessoas abordadas: atendimento em serviços de saúde ou encaminhamento para o sistema prisional.

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